Saúde e Bem-Estar
É assim com o empresário Fabiano Brusanoli, 37 anos, que, com a ajuda da esposa, começa a entender a necessidade de se cuidar melhor. Ele admite que só faz avaliação de saúde todo início do ano porque o esporte que pratica, o rúgbi, o obriga. Médico mesmo, apenas quando sofreu fraturas decorrentes do jogo. “A gente ainda tem aquela sensação da época da adolescência, de que é indestrutível e que quando as coisas são feitas exatamente da maneira correta é frescura. Deve ser coisa de machão latino”, brinca.
Esta semana Fabiano saiu da rotina e teve uma consulta com um dermatologista para investigar uma pinta que sabe-se lá a quanto tempo existe. “Minha mulher ficou sabendo que um primo meu, por insistência da mulher dele, foi ao médico ver uma pinta e era câncer de pele. Ela marcou uma consulta para mim e avisou o dia. Nosso segundo filho acabou de nascer e ela tem razão quando diz que tenho de me cuidar para poder cuidar deles”, diz.
E quando ficam doentes…“Ele é superfortão, mas quando fica doente vira uma criança…”, reclamam em coro várias mulheres que frequentam o consultório da psicóloga Eneida Ludgero da Silva, mestre em Psicologia Aplicada. Por que parece que alguns homens (para ser boazinha) se jogam na cama com ar dramático ao pegarem uma gripinha? A psicóloga explica que é justamente por não saberem lidar com a dor e com o desconforto de uma doença os homens “regridem”, às vezes perdendo o contato com a realidade ou agindo de forma desproporcional. “É visível que a maioria dos homens mostra uma ‘fragilização’ quando em dor ou doença e isso se dá pelo estereótipo do ‘seja forte’ imposto sobre eles. Uma doença sempre nos coloca em contato com nossa vulnerabilidade e fragilidade. Muitas vezes, esse é o momento de extravasar angústias e medos represados. Quando eles se permitem não serem fortes e buscam atenção e cuidados”. Ah, tá.
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O sacudir da poeira
Outra peculiaridade masculina no que diz respeito à saúde e ao bem-estar responde pelo nome de obstinação. Senão, o faria um obeso-mórbido virar um triatleta? Não dá para negar que tem cheiro de participação feminina aí. Mas, desta vez, a história é diferente. Mário Maddalozzo sempre foi cheinho, com uma “barriguinha proeminente”. Na época do vestibular, começou a ganhar peso, chegando com 20 e poucos anos à obesidade mórbida – pesava 152 quilos. Sobes e desces na balança e consultas com endocrinologistas depois, ele encontrou a motivação que faltava. “Fui convidado para ser padrinho de batismo e percebi que queria ser um exemplo para minha afilhada. Foi quando iniciou a mudança.”
Começou e foi longe. Neste domingo Mário está no Havaí, no último dia de competição pelo título de Ultraman. Ele é o único paranaense entre os seletos 35 atletas do mundo convocados para o desafio. As provas têm distâncias de 10 quilômetros de natação, 420 de ciclismo e 84,5 de corrida. São 36 horas de competição, que dura três dias.
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Autocuidado
Sempre que houver alguma suspeita de que algo não vai bem, um especialista da área em questão deve ser consultado, seja um dermatologista, oftalmologista, ortopedista ou qualquer outro. Mas alguns médicos são “obrigatórios” em idades referência.
Do nascimento até os 16 anos o pediatra e andrologista (que corresponde ao ginecologista das mulheres) são fundamentais. A partir dos 45 anos, incluem-se o cardiologista, o oncologista e o urologista – se houver histórico familiar de doenças a consulta deve ser antecipada para 40 anos. Também é importante consultar um geriatra quando se completa 60 anos.
As principais causas de morte de homens são as doenças cardíacas, como o infarto agudo do miocárdio, as doenças cérebrovasculares, o câncer e a violência. Fatores como tabagismo, álcool, drogas, exposição solar intensa, sedentarismo, doenças sexualmente transmissíveis e alimentação inadequada também os expõem ao risco. Não há segredo, evitar tais fatores e ter um pé no consultório médico não só protege de doenças, como garante qualidade de vida.
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Como vai você?
Pelo blog do Viver Bem os leitores nos contaram como cuidam da saúde e se acreditam que questões culturais afastam os homens do consultório
Luis Gustavo Pereira, 24 anos, pesquisador e estudante.
“Me cuido do meu jeito, pratico atividade física quase todos os dias, cuido da alimentação. Não costumo fazer check-up com regularidade, mas já fiz exames cardiológicos e passei por uma cirurgia depois da minha primeira visita ao urologista. Acho que falta para o homem informação e tempo e aí é importante o incentivo feminino para procurar um médico. Os amigos poderiam até se ajudar, mas tem o preconceito. Tem gente que olha torto até se você é cuidadoso na hora de escolher o almoço, dizem que ‘dieta é coisa de mulher’.”
Paulo Cesar Lopes, 40 anos, funcionário público estadual.
“Como tive problemas sérios de saúde na família, eu faço os meus exames anuais e, como a idade aumenta, os exames também aumentam. Gosto muito de praticar esportes, mas agora não estou podendo, pois estou estudando para um concurso. O homem não procura tanto o médico como deveria porque o machismo fala mais alto, é cultural. Mas com mais acesso a informação esse perfil vai sofrendo alterações, principalmente nas pessoas mais novas.”
Silvio Turra, 31 anos, analista de suporte bancário.
“Quando estava treinando jiu jitsu só fui ao médico porque a academia solicitou um atestado obrigatório. No momento parei, pois tive um estiramento nas costas quando treinava e depois virei bancário, aí já viu, trabalho e mais trabalho e a única coisa que você quer saber é cervejinha e sofá, no melhor estilo Homer Simpson. Mas não vejo a hora de voltar a praticar esportes, ainda mais com 31 anos. Nessa hora tem de cuidar mesmo da saúde para não ter problemas futuros.”
“Só às vezes faço algum tipo de exercício, porém faço exames rotineiros (uma vez por ano) para ver como estão o colesterol, triglicerídeos, psa, hemograma, glicose. Eu recomendo, pois é o mínimo que podemos fazer por nós. A maioria os homens não faz exames de rotina se não for por uma pequena pressão feminina.O brasileiro tem um forte apelo ‘macho man’ que é o principal motivo da taxa de mortalidade masculina precoce que é bem maior que a feminina.Graças a minha esposa, faço esses exames rotineiros, pois nunca tive nenhum exemplo na minha familia nesse sentido”.
Mário Duenhas, 42 anos, professor.
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