Saúde e Bem-Estar
O estudante de Educação Física Gabriel Carvalho Teixeira, 20 anos, foi quem se saiu melhor nos palpites. Quis repetir a porção de sagu e examinou atentamente cada pedacinho do beijinho. Ele conseguiu adivinhar os dois primeiros ingredientes secretos, mas o “achômetro” não funcionava mais na hora do bolo de chocolate.
Por sua vez, o administrador de empresas Joselmo Rezende, 39, errou feio quando tentou adivinhar o componente secreto do sagu: “É polvilho!”, supôs, longe à beça. Na hora do docinho, teve mais sorte: “É leve, úmido. O gosto do coco predomina, mas, apesar disso, desconfio do que seja feito”.
Já as meninas ficaram para trás no teste gastronômico. A assessora parlamentar Beatriz Portes até soube do que era o sagu, mas os acertos pararam por aí. A fotógrafa Ângela de Castro Deuz Freire, 29, diz ter sentido pedacinhos de arroz no meio do docinho. “Acho que senti uma parte de um grãozinho na boca”, imaginou.
Mas o mistério mesmo pairou sobre o ingrediente secreto do bolo de chocolate. Joselmo notou uma maior consistência na massa, Ângela percebeu algo de diferente, mas não conseguiu decifrar, Beatriz elogiou o gosto e a leveza da massa e a opinião de Gabriel sobre o último ingrediente secreto resume o clima sobre o grupo: “Não sei, não senti nada!”
Quando a nutricionista revelou que o sagu é feito com beterraba, o beijinho com mandioca e o bolo com fígado de boi, houve um minuto de silêncio na sala. Surpresos, todos tentaram lembrar do gosto para identificar o último elemento surpresa. Em vão.
Tatiana explica a brincadeira: “O importante é pegar um alimento (o fígado, por exemplo) e apresentá-lo de forma diferente. Podemos trabalhar o sabor e como ele é apresentado, e isso vai influenciar a pessoa que irá provar”, diz. Pois é, os nutricionistas têm descoberto que é preciso pegar as pessoas não só pelo valor nutritivo dos pratos, mas também pela boca, pelos olhos, pelo nariz e até pelo lado psicológico.
Existe uma resposta fisiológica relacionada à aceitação dos alimentos, aquilo que gostamos aumenta a nossa salivação e facilita a deglutição, ocorre o inverso quando não gostamos, o que dificulta a mastigação e a aceitação do alimento. “Quando falamos da relação do ser humano com a comida, estamos falando de uma experiência. Às vezes, por causa da influência dos pais, a pessoa diz que não gosta de tal coisa ou não quer experimentá-la. Quando viajamos para outro país costumamos estar mais abertos a provar coisas novas. Mas isso é importante também no dia a dia”, diz a nutricionista.
A combinação daquilo que a gente não aprecia tanto, mas precisa comer, com o que consumimos com prazer é uma das formas de se alimentar melhor. Afinal, comer deve ser um prazer e não motivo de angústia ou neurose. Segundo a nutricionista Karine Oliveira Daud, para uma alimentação saudável, todos os grupos de alimentos devem compor a dieta diária. “Nenhum alimento específico ou grupo deles isoladamente é suficiente para fornecer todos os nutrientes necessários a uma boa nutrição e consequente manutenção da saúde. Refeições são saudáveis quando preparadas com alimentos variados, com tipos e quantidades adequadas às fases da vida, compondo refeições coloridas e saborosas.”
Esqueça preconceitos
Com todos os compromissos que temos para cumprir, imaginar que um dia poderemos ter refeições saudáveis é ótimo, mas pode parecer algo difícil, demorado, cansativo, desgastante e muitos outros adjetivos, digamos, nada agradáveis.
No entanto, pequenas mudanças já servem como primeiro passo para se perceber que se alimentar bem nada tem a ver com sacrifícios ou sofrimentos. Os primeiros resultados já são suficientes para manter qualquer um motivado a melhorar o conteúdo do prato.
Aprenda a planejar
Sempre que me vejo tendo de decidir o que vou comer no jantar quando estou saindo do trabalho em direção à minha casa o resultado não é nada bom – nem para meu organismo, nem para o meu bolso. Com o cansaço do fim do dia, tendemos a buscar soluções fáceis para fome, como fast-foods, lanches ou congelados que geralmente passam longe do que o nosso corpo realmente precisa. O ideal é ir às compras semanalmente, com uma lista do que pode ser consumido em cada dia da semana. Poupa-se tempo, dinheiro e gordurinhas saltando por cima da calça.
Vá com calma, e sempre
Não é boa ideia tentar mudar radicalmente os hábitos alimentares. Cinco ou mais porções de frutas e vegetais por dia é o ideal. Mas, se hoje o seu garfo não passa nem perto deles, não tente comer as tais cinco porções amanhã. Começar devagar é importante, pois assim é criado o hábito. Insira uma porção extra por vez, e só aumente a quantidade quando tiver prazer em comer as colheradas de vegetais ou aquela frutinha de sobremesa.
Opte pelo simples
Há quem sinta prazer em buscar no quintal a salada e os temperos que pretende utilizar. Se busca praticidade e economia de tempo maiores, compre vegetais cortados, limpos e embalados. Outra opção são os congelados, bem melhores do que os enlatados, que contêm mais conservantes. Preguiça de descascar frutas? Ok, isto é mais comum do que é confessado por aí. Experimente saladas de frutas fresquinhas, polpas para sucos e até enlatadas em calda, mas cuidado com o açúcar.
A hora certa de comprar
Você já ouviu que não deve fazer compras com fome, mas procure também evitar comprar quando está com pressa. Em ambos os casos enchemos o carrinho por impulso – e nem sempre consideramos as informações que estão no rótulo. Gaste um tempo comparando não só os preços, mas também as informações nutricionais – sem se deixar levar por aquelas letras escandalosas que dizem algo do tipo: “contém fibras”. Como dizem, isso geralmente é “engana-trouxa”. Observe lá atrás, naquelas letrinhas miúdas mesmo, a quantidade de gordura, calorias, sódio ou fibras.
Ouse sem medo de errar
Mesmo que você só saiba fritar um ovo, embora eu não acredite nisso, experimente reservar um tempinho para uma arte na cozinha. Aproveite as dicas desta matéria e experimente. Se não quiser meter a mão na massa, peça para alguém que cozinhe preparar as receitas nutritivas e veja se são tão boas quanto as originais, com a vantagem de não pesarem “nadica” de nada na consciência e ainda poderem servir de trampolim para sua nova vida saudável.
Fontes: Em Defesa da Comida, um Manifesto (Editora Intrínseca); Alimentação Ideal para uma Saúde Perfeita (Editora Rocco); Saudável aos 100 anos (Editora Fontanar); Você sempre jovem: Estenda sua Garantia de Vida com Qualidade (Editora Rocco); Socorro, Meu filho não quer Comer! (Editora Alegro); Clínica Mayo, Livro de Medicina Alternativa (Editora Anima).
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