Desde 2009, quando recebeu o primeiro cavalo, a Sociedade Protetora dos Animais de Curitiba (SPAC) já resgatou, recuperou e ajudou na adoção de cerca de dez animais. Em junho, foi a vez dos três cavalos encontrados no Cajuru. Eles foram alojados na chácara da Sociedade, em Colombo, região metropolitana de Curitiba, onde receberam alimento e auxílio veterinário para se recuperarem.
“Não descobrimos quem eram seus donos. Caso fossem identificados, eles seriam denunciados por maus-tratos e omissão de cautela na guarda do animal, pois, quando estão sozinhos, os equinos podem causar acidentes”, afirma Soraya Simon, administradora e presidente da SPAC.
Tiago Vaz Carcereri, médico veterinário formado pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) e voluntário na Sociedade, desde os tempos de faculdade, é quem cuida dos bichos, que costumam chegar até ele apáticos, com cortes e feridas, que deixam a pele em carne viva. A maioria dos medicamentos utilizados no tratamento é comprada pela Sociedade e alguns chegam por doações. “Aceitamos antibióticos, soro, anti-inflamatórios e analgésicos”, diz Tiago. A Sociedade também recebe doações de material de construção para que um novo abrigo adequado para o processo de exames e curativos seja montado.
Dilema e auxílio
Uma vez na chácara, o animal jamais retorna para o antigo dono. “Ainda que ele precise do bicho para trabalhar, isto não justifica a utilização do cavalo ferido, magro e doente para qualquer atividade”, explica Soraya.
E a questão social é a parte mais delicada no resgate de equinos. O Batalhão de Polícia Ambiental, que recebe e verifica as denúncias, aplica multas que podem variar de R$ 500 a R$ 3 mil para quem maltrata qualquer animal. “A situação com cavalos é complicada, porque as pessoas que o utilizam para o trabalho são de baixa renda e muitos não têm condições de tratá-los. A aplicação da multa leva isto em consideração”, diz o tenente Álvaro Gruntowski, oficial de planejamento do Batalhão.
Vida nova
Para que o cavalo saia da chácara é preciso encontrar um dono disposto a tratá-lo de forma digna. “Temos que ter todo cuidado na adoção para garantir que este animal não seja utilizado para trabalhos forçados e explorado. Tentamos conhecer o adotante antes”, conta Soraya. Segundo ela, há o cuidado de se verificar se o local em que o cavalo irá viver tem espaço suficiente e é seguro.
Paloma e Napoleão tiveram sorte. Bem recuperados, hoje, eles têm nova vida na chácara do empresário Walter de Castro Junior, em Colombo, na região metropolitana. Mas Isabela, que perdeu uma orelha após cair no quintal da SPAC, não resistiu. Bastante debilitada, ela morreu depois de passar mais de 20 dias sendo tratada com antibióticos devido a uma infecção no casco.
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