Nem toda tendência está em uma cor, em uma modelagem ou em uma peça específica. Algumas aparecem no jeito como escolhemos consumir.
No último fim de semana, durante uma visita ao Quintal do Lupa, conheci a GILDA;, uma marca autoral curitibana criada por duas amigas que aposta na alfaiataria como resposta ao excesso de velocidade da moda.
O primeiro detalhe que me conquistou foi uma camisa confeccionada em algodão egípcio 400 fios. Confesso que fazia tempo que eu não encontrava uma matéria-prima com uma qualidade tão evidente. É o tipo de peça que você toca uma vez e entende por que algumas roupas atravessam décadas.
Mas a GILDA; não vende apenas roupa. Ela vende uma ideia que faz cada vez mais sentido: comprar menos, escolher melhor e criar um guarda-roupa que acompanhe a nossa vida, e não apenas uma estação.
As modelagens são clássicas, os acabamentos impecáveis e existe um cuidado que aparece em cada detalhe. Nada parece ter sido feito para chamar atenção por alguns meses. Tudo transmite permanência.
E talvez seja justamente essa a tendência mais interessante que vejo surgir hoje: a moda que acolhe em vez de acelerar. Que respeita o tempo das pessoas, valoriza matéria-prima de excelência e entende que elegância não precisa ser barulhenta para ser percebida.
No fim das contas, pertencimento também passa por isso. Vestir algo que faz sentido para quem você é.
E poucas coisas são tão contemporâneas quanto isso.