Para quem quer ter em casa animais de estimação de espécies ou raças diferentes, sem que a convivência se torne uma tragédia, é preciso paciência. É natural que exista um estranhamento entre os bichinhos, por terem origens e personalidades distintas, mas há técnicas que ajudam na socialização. Uma delas é que convivam ainda filhotes. “Dessa maneira, vão crescer e se desenvolver juntos e aprender a viver harmoniosamente”, afirma o médico veterinário Vlademir Servidone, da Clínica Collie.
Mas se a família já tem um animal em casa e quer introduzir um novo membro, é importante perceber a reação entre os animais, principalmente se ele já tem histórico de agressividade. “Pode haver relutância do mais antigo, porque ele vai achar que estão invadindo o espaço dele”, explica o veterinário Juliano Dal Pizzol, da Clinivet. Segundo o médico, as reações podem ser diversas, como ciúmes, ataques ao próprio dono ou depressão. “Nesse último caso, ele ficará sem comer, demarcará território urinando e defecando em todas as partes da casa, terá estresse crônico, queda da imunidade e problemas gastrointestinais”, diz. Se o dono perceber esses tipos de sintomas, o animal deve ser levado a um veterinário para tratamento, que pode ser com medicação (moduladores de comportamento) e exercícios.
Quem determina como será o ambiente entre os bichinhos, na maioria das vezes, é o próprio dono. “Se ele for dócil e bom, vai passar isso para o animal”, afirma o veterinário Servidone.
Mesmo sendo o dono uma pessoa tranquila, as brigas podem ocorrer, mas em casos muito particulares. “Eventualmente podem esquecer que são amigos e se agredir, mas é normal, assim como acontece com as pessoas”, explica a veterinária Elza Maria Galvão Ciffoni, especialista em Comportamento e Bem-Estar Animal, e professora da Universidade Tuiuti do Paraná.
Jude, uma calopsita macho de um ano, tinha toda a atenção da produtora de rádio Nicole Sourient, 21 anos, até o último dia 27 de janeiro. Desde aquela data, o gato Gael (SRD) é o novo membro da casa. “Quando a calopsita vê o gato, ela fica querendo chamar a atenção dele, mas ele nem dá bola”, relata. A ave vive dentro da gaiola e só é solta quando ele não está por perto. “Ela é abusada, provoca muito. Tenho medo de deixar junto e acontecer um acidente.”
Por outro lado, na casa da assistente de marketing Franciele Graciano, 28 anos, o clima é de adoração. A convivência entre o poodle Leo, de 6 anos, e o pit bull Scooby, de 8 meses, cães de raças diferentes e personalidades consideradas opostas, está dando certo. “Eles dormem juntos na mesma rede, de conchinha”, conta a dona, pondo em xeque a má fama dos pit bulls.
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