A beleza de vestir uma história, não apenas uma tendência. Crédito: Divulgação.
Tem marca que você descobre pelo hype. E tem marca que você sente antes de entender por quê.
A Trama foi assim pra mim.
Não foi campanha, não foi desfile, não foi aquele barulho todo que a gente já conhece. Foi uma sensação. Daquelas que fazem a gente parar no meio da timeline e pensar: tem mais coisa aqui.
Laurianna Rodrigues viveu a moda por dentro. Trabalhou dentro de uma das maiores engrenagens do setor, conhece o ritmo, conhece a pressão, conhece o custo humano de tudo aquilo. E foi exatamente nesse lugar que ela fez a pergunta que muita gente no mercado evita: até quando isso faz sentido?
Crédito: Divulgação
Quando voltou ao Brasil, voltou diferente. E trouxe com ela uma decisão que hoje eu considero quase um ato de coragem: desacelerar.
A Trama nasce disso.
O que me impressionou não foi só a estética, foi a base. Tem técnica ali, tem domínio real. Ela trabalhou com tricô a vida inteira e isso aparece em cada peça. O ponto não é decoração, é construção. O tecido não é escolha aleatória, é linguagem. E quando você veste, você sente. O DNA está na roupa.
A coleção TIMELESS foi onde eu realmente parei. A referência ao ponto cruz, à avó, às raízes poderia facilmente virar aquela nostalgia fofa e genérica que a gente vê por aí. Mas na Trama vira outra coisa. Vira memória com estrutura. Afeto com técnica. Uma delicadeza que não é frágil. É firme.
Laurianna podia estar numa grande marca internacional. Ela escolheu fazer a sua. Por valores, por ética, por amor ao que faz. E isso, acredite, aparece na roupa.
Crédito: Divulgação
Hoje a moda está cheia de marcas com propósito no discurso e vazio na peça. A Trama é o contrário. Ela fala pouco e entrega muito. E quando você olha nos olhos de quem criou tudo aquilo e vê a paixão com que ela fala de cada detalhe, você entende que não tem fórmula aqui. Tem alma.
No fim, a moda que fica não é a que aparece mais. É a que faz sentido. E a Trama, pra mim, faz muito sentido.