Mascote Fit

Animal

Felicidade fora de casa

Daliane Nogueira, especial para a Gazeta
07/02/2009 02:44
Bartolomeu frequenta a creche de segunda a sexta-feira, desde os quatro meses de vida. “Sempre sonhei em ter um cachorro. Comprei o Bartolomeu e me deparei com a necessidade de levá-lo para passear todos os dias. Eu chegava cansada em casa, não tinha pique”, relata Andréa.
Mônica Milietti, veterinária responsável pela clínica, explica que o atendimento foi criado porque vários clientes têm o mesmo perfil de Andréa e acabavam pedindo para deixar os animais sob os cuidados da clínica enquanto iam trabalhar.
Para a veterinária, a creche para animais alivia a consciência dos donos e melhora o humor de cachorros “revoltados” por ficarem sozinhos em casa. O sentimento de culpa rondava a psicóloga Eliane Guides, 51 anos. Ela sempre deixou o cocker Johnnie, de 9 anos, sozinho no apartamento. “Eu saía para trabalhar e ficava com o coração na mão. Na creche sei que ele tem espaço para brincar e recebe atenção e carinho dos cuidadores”, diz Eliane, que matriculou o cão na creche Cia Quatro Patas há um mês. Mesmo sendo um dos mais velhos da turma, o cocker comanda a festa na creche. “Ele é muito ativo e envolve os outros cães nas brincadeiras”, diz a veterinária responsável, Melissa Pês.
Dia cheio de brincadeiras
O especialista em comportamento animal Paulo Renato Parreira, professor de Zootecnia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, explica que o isolamento e a solidão são prejudiciais para os cachorros. “Os cães apresentam estresse e ansiedade quando ficam longe de seus donos”, diz.
Os sintomas são desânimo, falta de apetite e mudanças de comportamento. “Alguns animais passam a cavar sofás e morder móveis para demonstrar a insatisfação em ficar sozinhos”, conta Parreira. Segundo o zootecnista, cachorros que foram separados da ninhada antes de desmamar tendem a sofrer mais com a solidão.
A companhia dos veterinários, as brincadeiras e a presença de outros cães, compensam a falta do dono. Mas o zootecnista alerta. “Somente um cão sociável vai se sentir bem em uma creche. Se o cachorro não gosta de conviver com outros animais, forçar a socializá-lo só vai colaborar para o estresse”, garante.
Para testar a adaptação do cão, a veterinária da creche Cia Quatro Patas indica pelo menos uma semana de convívio com as pessoas que acompanham os animais e com os colegas. “O segredo é inserir um novo cão gradativamente nas atividades em grupo, assim a receptividade é melhor”, diz Melissa.
Antes do banho
Não só os cães solitários frequentam as creches. Há hóspedes esporádicos que são levados algumas vezes na semana para se divertir. É o caso de Pessoa, uma mistura de beagle com cocker, de um ano e três meses. “Como é de porte médio, ele sentia falta de correr. A creche, três ou quatro vezes na semana, o ajuda a se exercitar”, relata a corretora de seguros Roselayne Figueiredo, 42 anos, dona do cão.
Priscila de Campos, proprietária da creche Pet Spa, onde Roselayne deixa o cachorro, conta que dos 20 cães que frequentam o espaço, apenas cinco vão todos os dias. Assim como Pessoa, o lhasa Gudi, de um ano e nove meses, vai à creche para extravasar a energia. O cãozinho é companheiro da fisioterapeuta Luciene de Oliveira, 37 anos. Ela conta que Gudi está tão acostumado com os passeios que chega a “pedir” pelo momento da diversão. “Quarta-feira, que é dia de creche, ele me entrega a guia para eu levá-lo ao encontro dos amigos”, garante.
Preço e cuidados
Antes da matrícula é importante fazer uma visita à creche para verificar as condições de higiene e o preparo dos funcionários que acompanham os animais. “O espaço precisa de assistência veterinária de confiança e liberação da prefeitura”, lembra o zootecnista Paulo Parreira. O profissional explica que o ideal é que os cachorros fiquem soltos o dia todo. “Fuja das creches que têm gaiolas.”
O custo do bem-estar de um cachorro em uma creche de Curitiba varia entre R$ 10 e R$ 16 a diária, segundo pesquisa realizada pela reportagem. Os preços são reduzidos em planos mensais ou quando o dono inclui outros serviços, como banho e tosa semanal.
Alguns estabelecimentos também oferecem o serviço para gatos, porém não há muita procura porque os felinos, em geral, ficam bem quando estão sozinhos em casa. Além disso, segundo Parreira, os bichanos são territorialistas e demoram para se adaptar a um novo espaço.