Raízes Paranaenses

Conheça João Turin, escultor que imprimiu a força e potência da fauna paranaense em suas obras

Bruno Zermiani, especial para Pinó
07/05/2024 18:27
Thumbnail

João Turin em seu ateliê | Arquivo Atelier João Turin

A série Raízes Paranaenses resgata a história e o trabalho de Lange de Morretes e João Turin em seis partes. Ainda não leu a primeira? Comece por ela para saber mais sobre as paisagens de Lange de Morretes.
João Turin é celebrado como pioneiro da escultura paranaense e um dos maiores escultores brasileiros da animalia. A fauna do país foi uma de suas maiores fontes de inspiração, uma verdadeira troca entre o artista e a realidade natural, que deu origem a obras imortais. Turin foi intérprete do que viu na natureza de Morretes, cidade onde nasceu, e ao redor do mundo — uma interpretação humana, bela em suas perfeições e imperfeições.
Tal qual Lange de Morretes, ele também tem a sua representação do Marumbi, o complexo de montanhas que marca a serra do mar paranaense. Como não poderia deixar de ser, seu Marumbi é composto pelo corpo de dois animais, duas onças que batalham em uma luta que lembra o formato do complexo de montanhas. “O Marumbi sempre esteve muito ligado a ele, ele tinha uma paixão por aquelas montanhas”, conta o crítico de arte Fernando Bini.
Conterrâneo de Lange, Turin também teve a influência da paisagem da Serra do Mar à beira da estrada de ferro durante sua formação. Os relatos contam que ele saía de madrugada de casa para observar os animais e fazer rápidos esboços de seus movimentos, para então moldar em argila suas primeiras impressões.
“Essas observações faziam com que ele conseguisse captar não só os movimentos dos animais, mas toda sua força e sua potência. A paixão pela natureza é a base de todo o trabalho dele”.
Quando passou a morar em Curitiba, seu laboratório passou a ser o Passeio Público, na época o primeiro zoológico da cidade. Visitava as onças à noite, quando elas estavam mais ativas, para captar seus movimentos e seu comportamento. Desenhava o que via para então usar a escultura como arte final.
Portão do Passeio Público em 1930.
Portão do Passeio Público em 1930.
“O que ele faz em sua obra não são representações. Os animais deixam de ser parte da decoração e se tornam símbolos”,
define Bini.
Boa parte das obras do artista podem ser encontradas no Memorial Paranista João Turin, localizado no Parque São Lourenço. Quase 100 trabalhos do artista estão em uma exposição permanente, bem como réplicas em tamanho “heróico” de algumas de suas obras mais famosas — uma delas o próprio “Marumbi”, em uma recriação em quase 3 metros de altura.

Raio-X: João Turin

  • Nasceu em Morretes, no dia 21 de setembro de 1878;
  • Precursor da escultura no Paraná, especializou-se em esculturas de animais;
  • Entre suas obras mais renomadas estão “Tigre Esmagando a Cobra” e “O Rugir do Tigre” (também conhecido como “Luar do Sertão”), ambas premiadas no Salão Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, em 1944 e 1947, respectivamente;
  • Faleceu em Curitiba no dia 9 de julho de 1949.
Conheça outras obras do artista

Confira a terceira parte da série Raízes Paranaenses!