Histórico

Festa espanhola

Franco Calda Fuchs, especial para a Gazeta do Povo
24/12/2011 02:07
Vice-cônsul da Espanha, a curitibana Blanca Hernando Barco revela: nada menos do que um “carregamento de turrón e mazapan” (doces feitos à base de amêndoa) já lhe foi enviado por tias espanholas para que ela e os demais familiares passem o Natal no Brasil com o devido sabor espanhol.
Os quitutes são fundamentais na ceia habitualmente composta por peixe, frutos do mar e um delicioso carneiro assado preparado por sua mãe Maria Blanca: “o tempero ela não revela pra ninguém!”.
Para beber, nada melhor do que um bom vinho da região de La Rioja (de onde vieram Maria e o marido Saturnino) e a cava, o champagne espanhol. “Depois do jantar, na noite do dia 24, a gente canta os villancicos, que são as músicas natalinas, e fica conversando, jogando baralho e comendo muito turrón”, conta Blanca.
O clima da celebração é super familiar. “Na Espanha também é assim. Tanto que tudo fecha na véspera do Natal: comércio, bares, restaurantes, porque as pessoas querem passar a data com os seus parentes.”
Na noite do dia 24, a TV fica ligada em canais espanhóis, e todos os membros da família Barco acompanham atentamente a mensagem natalina do rei espanhol Juan Carlos I.
Já os filhos de Blanca – Martin, 20 anos, Paloma 17 e Pablo,12 – na hora de ganhar presentes, beneficiam-se da dupla nacionalidade. Afinal eles são presenteados no dia 25 de dezembro, seguindo a tradição brasileira, e também no dia 6 de janeiro, seguindo a tradição espanhola. Nessa data se celebra o Dia dos Reis Magos, figuras mais populares do que o Papai Noel. “Na Espanha, do dia 5 para o dia 6, eles fazem uma celebração muito grande, que parece até Carnaval. São feitos cortejos com os Reis Magos, então as pessoas desfilam em carros, com alegorias, numa festa que é transmitida pela TV.”
Em meio a essa euforia natalina, Blanca ressalta o que mais valoriza nesse período: “Natal não é presente nem luxo. O que vale é estar com saúde e ter a companhia da família. Poder passar o Natal com meus pais, que têm setenta anos, por exemplo, é algo que me deixa muito feliz”.