Histórico
Existem aspectos da vida pós-moderna que são simplesmente patéticos. Ter que andar em um ônibus lotado às 8 horas da manhã em direção ao trabalho e enfrentar o congestionamento da hora do rush matinal é uma delas. Ir almoçar ao meio-dia também é complicado, visto que todos os restaurantes estão cheios. Além de patético, é literalmente um atraso de vida. Por que todo mundo tem que fazer as coisas na mesma hora? Foi-se o tempo em que eram necessários rígidos horários para os rituais mundanos do dia-a-dia.
Está bem, talvez seja revolta demais. O problema é que desde que cheguei à adolescência virei um apreciador do lado alternativo de ver o mundo. Como todo bom jovem cheio de questionamentos, optei por ser do contra, para quebrar paradigmas. Sempre enfrentei situações comuns com um olhar diferente. Só que isso não passou. Continuo querendo levar a vida de uma maneira diferente. Enquanto todos querem comprar o último carro do ano, eu prefiro andar por aí em uma surrada bicicleta. Não é fácil, com as crescentes dificuldades de trânsito que Curitiba tem. Mas eu insisto.
É claro que enfrento inúmeros problemas por tentar sempre pensar de maneira diferente do que seria considerado normal, mas consigo encontrar gente que compartilha das minhas idéias. E assim continuo. Dias desses, ouvi do empresário Ricardo Semler que não há mais espaço para regras prontas na organização do trabalho do futuro (uau!). A tendência é acabar com horários, hierarquias e amarras em geral. O funcionário deveria poder trabalhar o quanto quisesse para atingir as metas fixadas pela empresa. “Se ele puder fazer no menor tempo possível, melhor! Queremos que ele tenha qualidade de vida”, disse em uma palestra. Hum… Ele é bem-sucedido, deve saber o que diz.
Descobri que existe até uma filosofia contra os padrões de “viver na linha”. O B-Society (Sociedade B – b-society.org ) que prega uma alternativa à sociedade 9-17h, como eles mesmo dizem. É que a idéia vem da Dinamarca, onde as pessoas costumam trabalhar neste período. O movimento prega justamente a liberdade de horários, que começou a ser adotada na Suécia. Nada mais sensato para os dias de hoje. Afinal, vivemos em um mundo globalizado, online, onde sempre tem alguém acordado, querendo fazer alguma coisa. Um dos argumentos é de que diversos problemas iriam acabar, como os imbecis congestionamentos. Aliás, existe coisa mais idiota do que hora do rush? É igual a uma fila. E eu, apesar de ser brasileiro, odeio filas.
Os organizadores do movimento se apóiam ainda em pesquisas que mostram que um quarto da população mundial simplesmente não se adapta aos horários da sociedade industrial: acordar cedo para dormir cedo. Tem gente que prefere ficar inativo durante a manhã e começar seus compromissos lá por 10 horas, as chamadas “pessoas B”. Mas não tem nada a ver com preguiça, porque, se respeitado o metabolismo de cada um, a produtividade é a mesma. Acho que sou um desses “B”… Ainda bem que consegui um trabalho onde começo às 13h30 e vou até as 20 horas! Por isso, notívagos do mundo, juntai-vos ao movimento e questionai os rígidos horários da sociedade que já se foi!
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