Histórico

Quando saudade é remédio

Adriano Justino
29/04/2007 23:29
Chega de Saudade. A História e as Histórias da Bossa Nova, de Ruy Castro (Cia. das Letras, 1990), tem menos de duas décadas de estrada. Mas bem que merece um lugar ao lado dos clássicos brazucas, como Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Hollanda, e Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre. Heresia? Não. Até Bento XVI iria concordar.
Caso se esteja falando de obras que explicam o país, sua gente, seus cacoetes e sua tragédia, esse trabalho de Castro tem de entrar na lista, mesmo que não se pretenda uma análise sociológica rigorosa. Em contrapartida, não lhe falta uma tese considerável sobre um país que passou por uma rebelião estética, vencida na base do banquinho e violão, do sorriso e da flor. Seu poder de fogo – brando é claro – mexeu com a cabeça e os nervos de toda uma geração. Nada mais foi como antes. Merece ou não merece um lugar na estante?
Em tempo. Ler Chega de Saudade como quem pesquisa a origem da desigualdade ou o drama da fome, não dá, né! Atire-se no sofá, diga à família que está de bode e não atenda telefonemas nem do Brad e da Angelina. Tom, Vinícius, Sylvinha Telles e Nara Leão vão levar um lero contigo. Eles sabem das coisas. Aviso: um banzo de tristeza vai invadir sua alma quando a última página chegar. Afinal, Ipanema era só felicidade. A gente não estava lá para ver, mas dá uma saudade.
José Carlos Fernandes
***
Que rei sou eu?
As crianças podem ser bem cruéis. O escritor e roteirista José Roberto Torero faz sua própria fábula sobre preconceito e segregação em O Pequeno Rei e o Parque Real (Ed. Objetiva). Na obra, um pequeno menino pouco tolerante com as pessoas vai descartando todas as suas possibilidades de fazer amigos por causa de sua intolerância. Bom para trabalhar valores com crianças já alfabetizadas. Sem maniqueísmo, apresenta dois finais para que a criança escolha o que quiser. Com ilustrações de Vinicius Vogel.
***
Bom entretenimento
Muita gente ficou surpresa com o sucesso de A Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sunshine), produção independente que acabou levando o Oscar de melhor ator coadjuvante, para Alan Arkin, e o de Roteiro Original. Mas ao ver o filme que acaba de sair em DVD dá para entender o porquê do sucesso: é uma história apaixonante sobre gente comum, pessoas que poderiam ser nossos vizinhos ou parentes – guardando as devidas peculiaridades da sociedade norte-americana. O filme mostra o périplo de uma família em uma Kombi para chegar a tempo de um concurso infantil de miss. As interpretações estão irretocáveis com destaque para a ótima Toni Colette.
***
Vai lá
Livrarias são sempre bem-vindas, principalmente as infantis, já que é muito difícil separar o joio do trigo quando o assunto é esse tipo de literatura. A Bisbilhoteca é o novo espaço especializado em livros infanto-juvenis, além de oferecer pogramação para os pequenos em um ambiente lúdico e aconchegante. Rua Carlos de Carvalho, 1.166 A.
***
Eu leio
“A cultura, os costumes e a realidade de Bangladesh aparecem como pano de fundo no livro O Banqueiro dos Pobres, que estou lendo. Escrita pelo vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 2006, Muhammad Yunus, e por Alan Jolis, a obra conta como Yunus desenvolveu um projeto de fornecimento de microcrédito aos menos favorecidos de seu país. A idéia transformou-se em sucesso e lhe rendeu o prêmio, pois mostrou-se uma alternativa no combate à pobreza. Por meio da história de vida de Yunus, o livro retrata também aspectos culturais e sociais da Índia, o que o deixa ainda mais interessante.”
Monalisa Stefani, publicitária e empresária.
***
“Aspas”
“Disse o bravo Virgulino: Senhor, eu não fui culpado Me tornei um cangaceiro Porque me vi obrigado assassinaram meu pai Minha mãe quase se vai Inclusive eu, coitado”
Cordel de Os Homens que Mataram o Facínora, de Moacir Assunção.