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Ele pode se mostrar simples como um torcedor fanático por futebol – “o hino do Botafogo é uma das poucas coisas que me emocionam” – ou emendar frases inquietantes na conversa, divagações sobre sua extensa cinematografia e literatura. Filho de um caixeiro viajante húngaro e uma alemã, fugidos da Segunda Guerra, Sylvio Back, o catarinense que virou curitibano e por fim debandou para a praia de Ipanema, é homem da lida.
“Minha teoria é a seguinte: quanto mais coisas tenho pra fazer, mais tempo sobra.” Dorme tarde, levanta cedo, caminha até o Arpoador e lê quatro jornais diariamente. É formado em Ciências Econômicas, já foi jornalista, é missivista contumaz. E está sempre debruçado sobre um novo projeto. Terminou recentemente de roteirizar Angústia, de Graciliano Ramos; se prepara para filmar um documentário sobre a Guerra do Contestado – “primeiro movimento armado pela posse da terra no século 20” – e seu mais novo livro de poesia erótica – As Mulheres Gozam pela Orelha – está saindo do prelo.
Mais uma peculiaridade: Back adora hotéis, em qualquer parte do mundo. Talvez porque tenha sido criado em um. “Não é a toa que Aleluia, Gretchen (filme sobre uma família alemã que vem ao Brasil para fugir do nazismo) se passa em um hotel. Tenho alma cigana”, observa. Quanto a Curitiba, onde morou por 30 anos, ele diz ter lembranças “holísticas”, embora ache que trata-se de uma cidade madrasta. “Curitiba não suporta o sucesso dos seus.” E fica triste ao ver que ela está perdendo o provincianismo. “Sinto falta do ar retrô do Passeio Público. Ainda hoje ecoam na minha imaginação os urros noturnos dos leões que ali viviam décadas atrás.”
Confira imagens da vida e da carreira de Sylvio Back
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