Histórico

Uma divisão rasa demais

Larissa Jedyn
19/11/2006 22:43
larissa@gazetadopovo.com.br
Os relacionamentos entre homens e mulheres reduzidos a pouco mais de cem páginas, recheadas de estereótipos previsíveis de cada um dos gêneros e uma porção de conselhos bobos. Segundo esses volumes insossos, que se aglomeram nas livrarias, nós mulheres somos egoístas, vaidosas, frias e inseguras, enquanto que eles, os homens, são individualistas, distraídos, não gostam de ser pressionados e vivem loucos por sexo. Tudo bem que essa seja a idéia original, mas nem todo mundo é igual! Personalidade não conta, nem criação, nem cultura… Somos, então, inseguras e eles, matadores.
O livro Somente para Mulheres – Saiba o que se Passa na Cabeça dos Homens, de Shaunti Feldhahn, não é diferente. Já na capa vem com o perigoso aviso de que teve 500 mil exemplares vendidos nos Estados Unidos. Você até pode ler, mas cuidado antes de colocar em prática. Quer um exemplo? Você já pediu 500 vezes para o seu amado que conserte a tomada do abajur das crianças. Nenhum dos pedidos realizados e você está prestes a brigar, a pedir pela 501.ª vez ou a chamar um eletricista, certo? Não, segundo o livro, você não pode pressionar o seu homem, afinal, isso abalaria sua auto-estima. Portanto, aguarde calmamente, que um dia tudo se resolve. Quer outro? Se você está cansada, o seu filho está com febre chorando, teve uma briga terrível no seu trabalho, nem pense em se recusar a fazer sexo com o seu marido – se ele quiser, é claro. Afinal, tudo é uma questão de prioridades.
Ajuda
Os Princípios de Liderança de Jack Welch

Jeffrey A. Krames
Editora Sextante
Integrante da parceria da editora com a revista Você S.A, esta obra compila os ensinamentos de Jack Welch, líder empresarial que comandou a General Electric durante décadas. Ele reescreveu as regras do jogo corporativo ao propor que os colaboradores, ao invés dos burocratas, dissessem o que precisava ser feito.
Letrinhas
Tudo sobre Meninos – para Meninas
Claudia Felicio
Nem sempre é fácil entender o sexo oposto, imagine na adolescência. Este é uma espécie de guia para que as meninas percebam como pensam os meninos em situações como paqueras, namoro e até brigas. Além de dicas de formas de falar, como ser notadas e comportamentos que “não queimam o filme”.
Clássico
O Vermelho e o Negro
Stendhal
Talvez a obra mais conhecida de Stendhal, nascido Marie Henri Beyle (1783 – 1842), O Vermelho e o Negro é protagonizado por Julian Sorel que, em popularidade, iguala-se ao Raskolnikov de Crime e Castigo (Dostoievski) e à Emma Bovary de Madame Bovary (Gustave Flaubert). Claro, personagens célebres existem aos punhados, mas o fato é que Julian faz parte desse panteão. Em Grenoble, um seminarista foi condenado à guilhotina pela morte de sua ex-amante – crime que teria ocorrido no interior de uma igreja. A execução aconteceu em fevereiro de 1828. A partir desse fato real (o que é uma redundância, pois todo fato é, por suposto, real. Ou não?), Stendhal se esmerou para criar uma crônica da França na primeira metade do século 19, durante a chamada Restauração pós-napoleônica. Não por acaso, a capa da mais nova edição de O Vermelho e o Negro, lançada pela Cosac Naify (cheia de extras, como o prefácio escrito por Tarsila do Amaral), é uma reprodução da pintura “Napoleão Após a Abdicação”, de Paul Delaroche. Vivendo no interior da França, Julian sonha com a grandeza militar inspirada por Napoleão Bonaparte e com um futuro em Paris. Antes, porém, estuda em um seminário e trabalha como preceptor dos filhos do prefeito de Verrières, o sr. de Rênal. Nesse ambiente, torna-se amante da primeira-dama (a sra. de Rênal) e vive todo tipo de infortúnios.
Irinêo Netto
Aspas
“O mundo se tornava fascista. Num mundo assim, que futuro nos reservariam? Provavelmente não havia lugar para nós, éramos fantasmas, rolaríamos de cárcere em cárcere, findaríamos num campo de concentração. Nenhuma utilidade representávamos na ordem nova. Se nos largassem, vagaríamos tristes, inofensivos e desocupados, farrapos vivos, fantasmas prematuros; desejaríamos enlouquecer, recolhermo-nos ao hospício ou ter coragem de amarrar uma corda ao pescoço e dar o mergulho decisivo. Essas idéias, repetidas, vexavam-me; tanto me embrenhara nelas que me sentia inteiramente perdido.”
Graciliano Ramos em Memórias do Cárcere
Eu leio
“Estou lendo dois livros muito interessantes. Um é O Relatório da CIA, que faz um estudo sobre o que será o mundo nos próximos 20 anos. O outro é Os Criadores, de Paul Johnson, um livro incrível que aborda as principais características de gênios ocidentais em diversas áreas do conhecimento.”
Carlos Ferreirinha, consultor de gestão de marcas de luxo.