Bem-estar

Meditação ativa para ser mais feliz

Geanine Ditzel
02/11/2014 02:12
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Emilie Isabela Tisi encontrou a harmonia na jardinagem, e aplica em casa o que aprendeu | Letícia Akemi / Gazeta do Povo

Quando queremos relaxar, pensamos logo em "sombra e água fresca". Não dá para negar que um destino paradisíaco reabastece as energias e mostra que a vida é mais colorida do que a pintamos, mas a maioria não consegue fazer isso com frequência. Porém, mesmo em meio ao redemoinho do dia a dia, é possível abraçar outras alternativas para combater o estresse, aliviar a tensão e, por tabela, ter outros benefícios. Foi em busca de algo que a deixasse feliz que a funcionária do setor de compras de uma empresa tecnologia, Emilie Isabela Tisi, se inscreveu em um curso de jardinagem, em Curitiba, três anos após retornar da Itália, onde morou por 11 anos com o marido. Emilie queria se reencontrar nessa nova fase no Brasil, marcada por problemas pessoais, de readaptação e pela doença da avó. "Eu estava tomando remédio para ansiedade e em busca de algo para relaxar. Pensei em um curso de gastronomia, mas não cabia no orçamento, os médicos indicaram atividades físicas, mas eu queria algo que me fizesse realmente feliz", diz. E encontrou a solução na jardinagem.
"O contato com a sua natureza faz a pessoa revisar as suas origens e sentir-se muito bem, física e psicologicamente", descreve a engenheira agrônoma Joyce Nascimento, professora do curso de Jardinagem do Solar do Rosário, onde Emilie estuda. Para Josiane Knaut, psicóloga e coordenadora do Laboratório de Estudos sobre Estresse e Qualidade de Vida da Universidade Positivo (UP), quando alguém está estressado, o seu sistema de alerta está ligado para tudo – perigoso ou não –, como se algo ruim fosse acontecer. "Precisamos aprender a desligar esse ‘botão de alarme’, e essas atividades propiciam isso. É como se estivéssemos desintoxicando o nosso cérebro", resume Josiane. Mas atenção: as atividades não são indicadas para todas as pessoas, pois depende do perfil de cada uma delas e de uma avaliação geral do seu quadro emocional, que deve ser feita por um profissional. Segundo Josiane, esse "hobby" não deve vir como mais uma responsabilidade. "Não pode sobrecarregar e tem que ser gratificante", diz. Além de se sentir mais calma e tranquila, Emilie está dando outra cara aos jardins de casa. "Consigo relaxar durante as aulas e, quando terminam, não vejo a hora de aplicar tudo o que aprendi", afirma.
Novo horizonte
É possível desfrutar dos benefícios que uma aula de artesanato pode trazer sem ser um grande artista. Foi o que aconteceu com a oftalmologista Janete Mattei ao se matricular em um curso de Estamparia. "Ao fazer algo completamente diferente do meu trabalho eu mudo o foco, amplio meus horizontes e isso me faz relaxar. É um hobby e uma terapia que fogem da minha realidade", conta. A ilustradora e professora da turma, Ciça Pires, se surpreendeu com a quantidade de pessoas de outras áreas que procuram o curso pelo aspecto terapêutico e também como segunda atividade. "Trabalhar com essas técnicas, nesse ambiente, que não está associado à indústria, é relaxante", afirma Ciça. Novos amigos, produção artesanal, liberdade para criar, lazer... precisa mais? "A vida é muito curta para viver uma coisa só", conclui Janete.
Boxe do bem
Por trás de músculos e força pode estar escondida uma boa dose de fragilidade, afinal quem está imune às pressões do dia a dia? Segundo Victor Augusto Haygert, sócio-proprietário da Boxe Training e treinador profissional, as histórias de pessoas que procuram o boxe para aliviar a tensão e relaxar se multiplicam na academia. Muitos deles, inclusive, começam a treinar por orientação do psicólogo ou psiquiatra. "Encaminhei pacientes para o boxe com níveis de estresse e irritação muito altos, que estavam começando a descontar nos filhos, nos parceiros, nos pais, com agressão verbal e até física, e o resultado após um tempo de treinamento foi bem positivo", afirma o psicólogo André Uniga Júnior, que também adotou o boxe para relaxar diante da carga emocional inerente à profissão. Mas ele ressalta que a atividade não é indicada para todos. Perfil e orientação médica fazem toda diferença. "É indicado para as pessoas que sabem racionalizar a raiva e, por uma exceção, perderam o controle", diz André.
Vamos dançar?
"Agora o meu dia vai começar", "enfim um momento só para mim", "é hora de relaxar" são algumas das frases que a professora e sócia do Espaço Cultural Dance Sempre, Maria Regina Montticelli, ouve dos alunos que chegam à escola, no fim do dia. "As pessoas literalmente entram na aula de dança e saem mais felizes, mesmo não se dando conta do porquê", revela. Mas os relatos da professora já dão a pista: "os garotos vão aprender um novo ritmo para não fazer feio diante da menina e aprendem como se comportar com elas; o estresse dá lugar ao bem-estar, a autoestima melhora, sem falar na coordenação motora, na consciência corporal, no tônus muscular e nos novos amigos". E mais: Regina lembra de muitos alunos que começaram lá uma vida a dois: se conheceram, namoraram e casaram. Que tal?