Turismo

Bugue leva a outras belezas

Anna Paula Franco
13/10/2011 03:04
Maragogi (AL) A voz do vendedor ecoa nas ruas de areia da vila em São Bento, na orla alagoana: “Olha o coentro, bonito por fora, gostoso por dentro”, grita o homem que pedala a bicicleta com a cesta cheia do tempero verdinho. Entre a rodovia AL-101 e a linha da praia, os conjuntos de casas de pescadores e nativos guardam riquezas locais, descobertas durante um passeio de bugue, a partir de Maragogi pelo litoral Norte, em direção a Maceió.
Uma das primeiras paradas é na tenda do Pimenta. Ali, troncos de coqueiro e jaqueira são transformados em mesas, bancos e cadeiras nas mãos habilidosas do artesão. O trabalho artesanal demora até 45 dias para ser finalizado: depois de esculpida, a peça precisa secar e só então recebe o acabamento. Ali, na beira da praia, cada uma sai por R$ 150. “Mas eu vendo para lojas do Rio e São Paulo”, conta.
O passeio alterna trilhas à beira-mar e estradinhas de chão batido. As paisagens também mudam: uma fazenda de camarões mar adentro, a molecada jogando bola no internalo da aula, ruínas de casas destruídas pela maré brava, travessia de riachos que chegam à praia e formam belas paisagens. “Nossas praias sempre aparecem na televisão”, orgulha-se o bugueiro Amilton. Sempre mesmo: Riacho Doce esteve num seriado global do mesmo nome, São Miguel dos Milagres foi parar até no cinema, no filme Deus é Brasileiro (2003), com Antonio Fagundes e Wagner Moura.
A próxima parada é na casa Duas Irmãs, fábrica de bolo de goma, guloseima típica da região. Feito com leite de coco (puro, extraído da fruta, na prensa nos fundos da casa), gema, margarina e goma de mandioca, o bolo é, na verdade, um biscoito, muito parecido com sequilho. A produção caseira de dona Marlene chega a 50 quilos de bolo por dia, em alta temporada. Os pacotinhos são vendidos ali mesmo (300 gramas por R$ 3). Mas grande parte da produção abastece cafés, hotéis e bufês da região.
Do lado oposto da rodovia, morro adentro, a visita seguinte é a um mirante rústico, dentro da área do Hotel Paraíso dos Coqueirais, em Japaratinga. Uma voltinha pelo terreno do lugar já dá uma pista: a horta, os viveiros e a rotina da hospedagem estão integrados à natureza. O morro faz jus ao nome do hotel.
Na volta, se a chuva não alcançar os visitantes no caminho, as bicas de água doce da Ponta do Boqueirão vão ajudar a refrescar. As áreas de banho são divididas em homens e mulheres. É só entrar e tirar o sal, areia e suor no recinto fechado, com chão de cimento, antes de voltar para o hotel.
Serviço:
Passeio de bugue. R$ 160 para até quatro pessoas no bugue. Amilton, Rua Everaldo Vasconcelos, s/n, Conjunto Adélia Lyra, Maragogi. Informações nos fones: (82) 9341-6015 e 8808-6176.
A jornalista viajou a convite dos Hotéis Salinas