Turismo

Clima ameno e boa mesa

José Marcos Lopes
13/04/2007 00:09


Florida, Gravatá recebeu o apelido de “Gramado do Nordeste”.
Se a primeira impressão é a que fica, Gravatá conquista à primeira vista. Com cerca de 70 mil habitantes, esta cidade cravada no agreste pernambucano, a cerca de 90 quilômetros do Recife, vem se tornando o maior pólo turístico da Rota Luiz Gonzaga. Além do clima ameno e da arquitetura portuguesa preservada, Gravatá oferece variados atrativos a seus visitantes: do turismo de aventura a ótimos restaurantes, de hotéis-fazenda e haras a ateliês de pintura abertos ao público.
A estratégia gravataense para atrair turistas pode ser considerada radical: o Plano Diretor da cidade, por exemplo, não permite prédios com mais de dois andares; os ambulantes que povoavam a principal praça foram retirados, dando nova vida à região central; e a prefeitura firmou uma parceria com a gaúcha Gramado, um dos maiores pólos turísticos do Sul do país. O resultado disso tudo é uma cidade limpa, colorida, cheia de flores e bucólicas ruas que mais parecem um shopping a céu aberto, com lojas de confecções, artesanato e brinquedos de madeira – uma das especialidades locais.
As belas paisagens conquistam, mas Gravatá quer mais: quer pegar pelo estômago. E consegue. No almoço, é possível saborear a tradicional carne de bode, por preços que variam de R$ 15 a R$ 30.
No cardápio do Bode na Brasa, um dos mais simples e aconchegantes restaurantes da cidade, o melhor da culinária do agreste: perua à cabidela, buchadinha com arroz e pirão, bode guisado, carne de sol sertaneja. Tudo para duas pessoas, a preços que vão de R$ 20 a R$ 30.
Se o assunto é culinária internacional, Gravatá também não fica de fora. Não faltam restaurantes suíços, portugueses e italianos. A idéia agora é atrair japoneses e chineses. O grande destaque é o Restaurante Tourné, com mais de 30 pratos importados de várias partes do planeta. Seus proprietários, Vilma Calzetto e Paulo de Carvalho, trabalharam em restaurantes dos Estados Unidos e da Itália. Com esse know-how, adaptaram à realidade regional receitas de massas, risotos e pratos como o pato com laranja e o bacalhau. Tudo por preços que vão de R$ 25 a R$ 50, para duas pessoas.
Tamanha diversificação na hora da mesa levou Gravatá a criar o Festival Gastronômico, realizado no final de setembro. Durante o festival, cada restaurante inova e cria um prato novo. Simultaneamente, são realizadas a Feira do Livro de Gravatá, a Feira de Negócios e o Festival Cultural, com exposições de arte, mostras de vídeo, teatro e cinema, oficinas de arte e palestras.
Outra atração da cidade é o pólo moveleiro. Em pleno centro da cidade, os artesãos produzem brinquedos educativos, móveis rústicos e objetos dos mais variados. Além da produção de madeira e de flores – a cidade tem o 5.° melhor micro-clima do mundo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), e é a maior produtora de flores do Nordeste –, a mais nova invenção de Gravatá é o Roteiro das Artes. A idéia é abrir ao público os ateliês dos artistas da terra, dos mais consagrados, como Flávio Gadêlha e Péricles Paiva, ao mais desconhecidos. Com tudo isso, Gravatá já ganhou de alguns o apelido de “Gramado do Nordeste”. E, como se não bastasse, nestes tempos em que segurança virou item de luxo, a população bate no peito com orgulho: há mais de um ano não é registrado um homicídio na cidade.