Desde julho, o Instituto Baleia Franca (IBF) contabilizou 173 animais diferentes – eles são identificados pelas calosidades na região da cabeça –, uma das melhores temporadas de acasalamento e procriaçao da espécie na região, desde que o IBF começou o trabalho de acompanhamento e monitoramento da espécie, há dez anos. O espetáculo leva centenas de turistas em busca de baleias em atividade na costa catarinense. No início da temporada, são os grupos de acasalamento que chamam a atenção: até seis machos para uma fêmea, com direito a acrobacias dos ‘rapazes’ na tentativa de conquistar a parceira. Animais de 60 toneladas dão piruetas, exibem caudas e fazem saltos que deixam os turistas calados diante da bela demonstração de força e agilidade.
Ao mesmo tempo, as futuras mamães se preparam para o parto. Elas vêm da Antártica, em uma viagem de 5 mil quilômetros, para parir no mesmo lugar onde foram fertilizadas, há um ano. “Cada gestação da baleia dura 12 meses. Elas chegam aqui com uma grossa camada de gordura e passam os três meses no inverno amamantando o filhote, sem comer nada, para então voltarem para casa juntos”, conta a bióloga Mônica Pontalti, coordenadora da área científica do IBF.
Atividade
Na etapa final da temporada, enquanto amamentam os bebês, as mamães baleias também ensinam à cria como sobreviver ao retorno para casa. Durante o monitoramento dos biólogos do IBF – e nas excursões dos turistas – é possível observar o comportamento dos animais na hora de aprender a respirar (a mãe empurra o filhote até a superfície), a própria amamentação e as brincadeiras de saltos e mergulhos.
O passeio demora cerca de duas horas. Antes de embarcar, todos assistem a uma rápida palestra sobre o comportamento dos animais. Ali a bióloga também explica as regras da observação: ao avistar a baleia, o barco pode chegar até a 100 metros e precisa desligar o motor. O resto, é com o bicho: dependendo do vento e do ânimo, a baleia pode chegar muito perto ou preferir fazer os malabarismos à distância. Interessante também é o comportamento dos passageiros: ao menor sinal de uma baleia, o silêncio é imediato. Todos se calam diante de um borrifo da respiração do animal, ou do seu canto, para contemplar e tentar registrar todos os movimentos. Dentro do barco, só os clics das máquinas são ouvidos durante o espetáculo.
Ao retornar ao cais, os passageiros já estão apaixonados por baleias francas, uma das receitas para manter a preservação de uma espécie que quase sucumbiu à extinção. “Conhecer mais sobre a natureza e seu ecossistema é uma das formas mais eficientes de convencer as pessoas a preservá-la. Vivemos no paraíso. Mas cuidar dele também dá muito trabalho”, explica Enrique Litman, um dos idealizadores do IBF e o introdutor da prática de whale watching em Santa Catarina.
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