Turismo

Um Paraguai diferente

Zélia Sell, de Curitiba.
08/09/2011 03:02
Celebrações, desfiles, apresentações artísticas e até uma maratona esportiva lembraram que, depois de um longo domínio espanhol, foi a bravura de Pedro Juan Caballero e seus camaradas que fez com que, na noite de 14 de maio de 1811, se apoderassem dos quartéis de Assun­­ção e exigissem a rendição do governo.
Na madrugada do dia 15 de maio, os patriotas, apontando canhões, renderam o governador Velasco, e a partir daquele momento o Paraguai deixou de ser província espanhola para se tornar uma nação soberana e independente.
No Museo Casa de La Inde­­pendencia, na Rua 14 de Mayo esquina com a Presidente Franco, ressoaram os passos dos compatriotas que desejavam uma terra livre e independente. Construído em 1772 pelo espanhol Antonio Martinez Sáenz e sua esposa paraguaia Petrona Caballero, com paredes de adobe e teto de telhas, palmas e taquaras, como era tradição na época, foi o lugar onde Pedro Juan Caballero, primo da dona da casa, ficou hospedado. Ali ele conheceu a mordoma da catedral e vizinha, dona Juana Maria de Lara. A história oral conta que dona Juana também participou do movimento, dirigindo-se à catedral de Assunção e pedindo ao padre Mariano Molas o santo sinal do triunfo: um repique contínuo de sinos na madrugada de 15 de maio, convocando a população para celebrar o nascimento de um novo Paraguai.
O solar Martinez Sáenz continuou como propriedade particular até 1943, quando foi adquirido pelo estado que, em 1961, o declarou Monumento Histórico Nacional. Para celebrar os 200 anos da independência, atores contratados representam figuras históricas como Pedro Juan Caballero e o governador, e as cinco salas e o grande salão da residência, dispostos em torno do pátio, estão perfeitamente restaurados e decorados com móveis e objetos da época.
Zélia Sell tem 57 anos e é jornalista.