Turismo

Uma inesquecível corrida de Fórmula 1

Arthur Lustosa é jornalista trainee da Gazeta do Povo.
23/11/2006 21:30
Foi em 2005, na Itália, que tive a minha única oportunidade de ver um Grande Prêmio de Fórmula 1 fora do Brasil. De início, eu nem esperava entrar no autódromo. Estava na Itália há apenas 24 horas, precisava poupar dinheiro para os meses que ficaria lá, e nem sequer tinha ingresso. Consegui chegar a Monza no fim do treino classificatório do sábado e, ainda do lado de fora, pude ouvir o contagiante barulho dos carros da Fórmula 1. Já me sentia no céu, pois estava na entrada de um dos mais tradicionais circuitos de corridas do mundo.
Sentei num banquinho de madeira e passei quase duas horas apreciando o movimento. Eram carros de passeio das equipes entrando e saindo, seus belos caminhões estacionados em um pátio ao lado do portão principal. O tempo passava e eu não estava nem aí pra ele. De repente, um senhor se aproximou e perguntou se eu gostaria de comprar o ingresso, pois ele não poderia assistir ao GP no dia seguinte. Logicamente eu, brasileiro, ou seja, estrangeiro, recém-chegado, desconfiei até da alma do pobre senhor. Perguntei: “Questo é vero” (Isso é verdade)?
Resultado: comprei o ingresso por 40 euros e ainda ganhei a entrada de sábado. Imediatamente entrei no autódromo, não acreditando muito que estava ali. Logo de cara, vi a largada da GP2, categoria de acesso à Formula 1. Em seguida, fui até um estande onde, mais tarde, os pilotos da Ferrari estariam presentes. Não arredei o pé e consegui o que sonhava há muito tempo: um autógrafo do Michael Schumacher. Pronto! Estava realizado! Depois disso, confesso que fiquei fora do ar por alguns minutos, analisando o que havia acontecido. Não acreditava!
A noite ia chegando. Seria normal ir embora e voltar no outro dia para a corrida, mas eu queria ficar a todo custo. O jeito foi comer algo e procurar um abrigo para passar a noite. Andei um pouco e achei uma barraca abandonada, no lado interno da famosa curva parabólica. Pensei: vou dormir aqui mesmo!
Não consegui pregar o olho, ficava recordando tudo o que havia visto ao longo do dia. Cho-veu durante a noite toda mais do que ao longo do mês inteiro na Itália. Quando amanheceu, a chuva havia parado e o sol apareceu. Assim, fui procurar um bom lugar para assistir a corrida.
A prova foi um pouco sem graça, com vitória do colombiano Juan Pablo Montoya – Alonso e Fisichella completaram o pódio. Mas logo após a bandeirada, pude participar da tradicional invasão de pista de Monza, acompanhei a premiação do pódio e até senti o gosto de uma gota da champagne da F1 que caiu no meu braço. Sem dúvida alguma, essa corrida é inesquecível para mim!