Sempre achei que viajar de navio era algo sofisticado, que exigia roupa chique, um programa que não “batia” comigo. Para mim, as férias, mesmo que por apenas uma semana, têm que ser muito descontraídas, em qualquer destino. Assim, relutava em fazer um cruzeiro. Pura bobeira. Porém, nesta temporada, resolvi pesquisar e a animação por fazer uma viagem diferente tomou conta de mim. Em dois ou três dias, meu marido Angelo e eu nos preparávamos psicologicamente para enfrentar a novidade.
Não imaginávamos a grandiosidade de um transatlântico até chegarmos ao porto de Santos. Embarcamos no MSC Armonia, 58.625 toneladas, 251 metros de comprimento, 777 cabines, 700 tripulantes, 2.087 hóspedes. Uma mini-cidade flutuante, com quatro restaurantes, piscinas, jacuzzis, nove bares, boate, salão de jogos, lojas (vendendo desde camisetas até diamantes), teatro, salão de beleza, spa, sauna, academia, cassino, piano bar, internet café, cigar room, mini-golfe e uma pista do comprimento do navio, para caminhadas.
Fizemos o 4.º Cruzeiro Baila Comigo do Armonia: da manhã até a madrugada, nos salões e áreas das piscinas, professores e animadores ensinavam a dançar desde samba até rumba e salsa. O dia todo de descontração, ao contrário do que eu imaginava. Adorei conhecer pessoas: café da manhã, almoço e lanche da tarde eram servidos em grandes bufês e se podia comer em qualquer lugar. O jantar era mais formal, com as mesmas pessoas (éramos sete) na mesma mesa (sempre a l86). Nosso pequeno grupo ficou amigo desde a primeira noite.
Charme e estilo marcam este navio: uma infra-estrutura moderna, decoração clean e excelentes serviços de bordo em todos os ambientes. Começando pelos nomes dos decks (andares): Topázio, Esmeralda, Ametista, Turmalina, Safira, até o requintado piano bar, onde cantávamos todas as noites, após o jantar, antes de irmos para as festas ao redor das piscinas, com comidas e doces nacionais e da culinária internacional.
Primeira escala: Arraial do Cabo. Por não haver porto ali, o transatlântico ancora em alto mar e as lanchas salva-vidas levam e trazem passageiros à Praia do Forno ou à cidadezinha, fundada por Américo Vespúcio, em l503.
À tardinha, depois de apreciarmos um belíssimo pôr-do-sol, seguimos para Salvador. Naquela noite ocorreu o coquetel do comandante para apresentação do staff. A mulherada, toda emperiquitada, fazia questão de ser fotografada ao lado do oficial. Depois de mais um dia de navegação ininterrupta, chegamos pela manhã à capital baiana. O tempo foi pouco para ver Salvador. De van, fomos à Praia do Forte, conhecer a sede nacional do Projeto Tamar, que cuida das tartarugas marinhas, mas antes almoçamos na Praia de Guarajuba. De volta, breve passeio pelo centro histórico: Elevador Lacerda e Mercado Modelo.
Saímos à noite para Ilhéus, cenário do romance Gabriela Cravo e Canela, de Jorge Amado. Conhecemos o convento e a igreja de Nossa Senhora da Piedade e a Catedral, dedicada a São Sebastião, ambas com belíssima arquitetura.
De Ilhéus ao Rio de Janeiro, outra jornada no mar. À noite, a ceia de gala, de despedida. No sábado, pela manhã, alvoroço no deck das piscinas: gravação de cenas de um filme com Ari Fontoura e Nicete Bruno; tendo na direção o genial Jorge Fernando.
A saída do Rio foi magnífica: a Cidade Maravilhosa diante de nós, um guia descrevendo os locais, mil fotografias e um belíssimo pôr-do-sol encerrando o dia. A experiência valeu. Já fizemos a reserva para comemorar o réveillon deste ano, no navio MSC Opera, que vem pela primeira vez ao Brasil.
Colunistas
Agenda
Animal


