Usuários estão inundando as páginas dos Hotéis Trump com avaliações negativas
Redação, traduzido de The Washington Post
20/01/2018 08:00
Fachada do Trump International Hotel, em Washington. Foto: Reprodução/Facebook
Na última semana, centenas de revisões com apenas uma estrela inundaram a página do Trump International Hotel, em Washington, no Yelp (página e aplicativo voltado para avaliações de estabelecimentos comerciais). A maioria descrevendo o estabelecimento como um “shithole” – buraco de merda, em tradução livre. Revisões negativas similares apareceram nas páginas do Yelp para os hotéis Trump em Nova York, Las Vegas, Waikiki, Chicago e Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida.
As avaliações médias para alguns desses hotéis no Yelp tiveram, por sua vez, uma queda. Na semana passada, a avaliação média no Yelp para o Trump International Hotel, em Washington, era de quatro estrelas – o máximo é de cinco. Essa pontuação, na quinta-feira pela manhã, tinha caído para apenas duas estrelas.
“Buraco de merda total!”, escreveu um usuário identificado como Delton M., de Los Angeles, sobre o hotel de Washington. “A TV só passou o Rússia Hoje e a Fox ‘News’. Os funcionários só falaram com pessoas brancas.” “A torre é construída tijolo a tijolo por imigrantes onerosos de países de merda”, escreveu um usuário sobre o hotel de Nova York.
Com ares de palácio, o hotel da rede de Trump em Washington tem uma torre aberta a visitação. Foto: Reprodução/Facebook
“Uau, esse resort é um buraco de merda completo”, escreveu uma pessoa sobre o Mar-a-Lago Club, de Trump”. A gerência parece desprezar qualquer um que não seja branco. Eles foram particularmente gentis com noruegueses e russos. Mas sempre que uma pessoa de cor entrava no edifício, os funcionários diziam a ela que ‘voltasse para seu país de merda’!”
A onda criou uma dor de cabeça para a companhia, que pede que seus usuários descrevam apenas experiências pessoais. Mas a verdade é muito óbvia: muitos dos autores dessas avaliações não fazem questão de fingir que realmente estiveram em alguma dessas propriedades.
O movimento parece ter começado, como todos os movimentos, no Twitter. Ruan Fox, cofundador da New Knowledge, uma companhia que acompanha como a desinformação se espalha online, disse à CNN que alguns usuários do Twitter estavam encorajando as pessoas a escrever avaliações falsas nas páginas do Yelp de Trump. As críticas começaram pouco depois de o Washington Post ter relatado que o presidente Trump usou um termo vulgar em uma discussão sobre imigração no Salão Oval.
As páginas do Yelp para vários dos hotéis de Trump agora incluem um alerta, dizendo aos usuários que o negócio “recentemente esteve nos noticiários, o que muitas vezes significa que as pessoas vêm a esta página para postar suas visões sobre as notícias”.
Um box com as palavras “Alerta de Limpeza Ativo” agora aparece, explicando que o negócio está sendo monitorado pela equipe de suport do Yelp “para conteúdo relacionado a reportagens midiáticas”.
“Enquanto nós não tivermos um parecer para um lado ou outro a respeito desses novos eventos, vamos trabalhar para remover avaliações positivas e negativas que pareçam ter sido motivadas mais pela cobertura midiática que pela experiência do usuário com o negócio”, diz o alerta. “Como resultado, seus posts nesta página podem ser removidos como parte do nosso processo de limpeza começando na quarta-feira, 17 de janeiro de 2018, mas sinta-se à vontade para postar seus pensamentos sobre a recente cobertura midiática deste negócio no Yelp Talk a qualquer momento.”
O lobby luxuoso do Trump International Hotel, em Washington. Foto: Reprodução/Facebook
Uma porta-voz do Yelp disse ao Post que esse frenesi é “uma situação complicada que criou um dilema para o Yelp“.
“Como às vezes nós recebemos centenas e mesmo milhares de fotos e avaliações em resposta à atenção da mídia, o processo de remoção normalmente começa nos dias seguintes ao problema nos ter sido apresentado”, disse Brenae Leary.
O fluxo contínuo de avaliações negativas obviamente dificultou esse processo de remoção.Na quinta-feira de manhã, a página do Trump International Hotel, em Washington, ainda tinha mais de 215 avaliações mencionando os termos “shithole” ou “shit hole”.
Esta não é a primeira vez que o Yelp lida com trolls como resultado de notícias da imprensa. Em dezembro de 2016, por exemplo, o site entrou em um processo de limpeza similar depois que críticos de Trump começaram a atacar a Trump Grill, em Nova York, em sua página do Yelp.
Ataques similares a uma empresa de reboque ocorreram depois que o motorista de um caminhão de reboque se recusou a atender um apoiador de Bernie Sanders.
Em 2012, depois que o dono de uma pizzaria abraçou o então presidente Barack Obama, a fotografia viral “inflamou uma resposta social sem precedentes de eleitores dos dois lados da disputa, fosse postando avaliações de uma estrela e atacando as ações do dono, fosse postando avaliações de cinco estrelas em sua defesa”, relatou o vice-presidente de comunicação corporativa da companhia em um texto em 2016.
“O resultado foi uma confusão de milhares de pontos de vista políticos que enterraram as experiências dos consumidores reais, incluindo presumivelmente qualquer um que possa realmente ter estado lá e comido um bom pedaço de pizza.”