Turismo

Vida marinha em rico refúgio

Gabriel Azevedo
13/10/2011 03:04
Maragogi (AL) – Enquanto Luna é a queridinha, Aldo, o peixe-boi marinho mais velho da região, não toma jeito. Com 16 anos de idade e quase meia tonelada de peso, ele não consegue se adaptar ao habitat natural: o mar. E ainda tem dificuldades em conviver com Aiara e Arani, outros mamíferos da sua espécie.
Eles moram no Rio Tatua­­munha, em Porto de Pedras, a 130 km de Maceió, litoral Norte de Alagoas. Vivem no Santuário do Peixe-Boi, cativeiro de readaptação, sob os cuidados do Projeto Peixe-Boi e do Ibama.
Com o limite de 70 visitantes por dia, para conhecê-los é necessário agendar uma visita com a Associação de Condutores de Turismo e Observação do Peixe-Boi Marinho, que disponibilizará um guia credenciado e uma autorização. O passeio de cerca duas horas, inclui uma trilha ecológica no meio do mangue, com direito a uma caminhada por pontes suspensas (e nada confiáveis) de madeira. Neste trajeto de aproximadamente dois quilômetros, o visitante tem contato com a diversidade ecológica da região, que incluí várias espécies de aves e caranguejos.
A caminhada termina no porto improvisado, de onde os visitantes seguem de jangada – sem motor, para não incomodar os animais – até o Santuário. Du­­rante o passeio de barco, que dura 50 minutos, é possível en­­contrar o animais já readaptados pelo caminho, mas o contato, diz o guia Platini Fortunato, não é garantido. “Depende do clima, do horário, da maré”, conta.
Mesmo no Santuário, a visualização dos peixes também depende de sorte, mas as chances de tirar uma foto do bicho, que adora se mostrar, são bem maiores. “Eles gostam de se exibir”, revela. O passeio acaba na sede da Associação, que fica às margens do rio, onde é possível comprar um peixe-boi de pelúcia, madeira ou plástico.
Preservação
O Santuário do Peixe-Boi está inserido na Área de Preservação Ambiental (APA) Costa dos Corais, uma unidade de 413 mil hectares, que abrange oito municípios em Alagoas e três em Pernambuco. Nesta admirável faixa litorânea de 135 quilômetros, foram catalogadas 185 espécies marinhas, como peixes e tartarugas. Os passeios de barco e a prática de mergulho (tanto de snorkel quanto com ar comprimido) permitem que o turista conheça a diversidade da área. Ambos são limitados e controlados por entidades de proteção ambiental e governos estaduais e podem ser contratados nos hotéis da orla ou em empresas credenciadas.
Para ajudar a preservar a maior unidade de conservação marinha do país, a Fundação Toyota do Brasil criou um fundo de investimento para garantir a continuidade dos projetos de proteção que existem na APA Costa dos Corais e a financiar o turismo sustentável. Este fundo – cujo valor não foi divulgado – receberá contribuições da Fundação pelos próximos dez anos e será gerido pela ONG SOS Mata Atlântica.
De acordo com Pedro Lins, chefe em exercício da APA, a unidade é grande demais e precisa de parceiros para ser preservada. “O dinheiro será aplicado na implementação do plano de manejo da APA”, conta. Entre os pontos abordados pelo plano, ainda em fase de elaboração, estão a conservação dos recifes, a preservação do habitat do peixe-boi-marinho, a proteção dos manguezais e a ordenação do turismo.
Deslocamento
O litoral alagoano é democrático: com 230 quilômetros entre Piaçabuçu, ao sul, e São José da Coroa Grande, na divisa com Pernambuco, tem ainda as praias urbanas da capital, Maceió: Cruz das Almas, Pajuçara, Ponta Verde e Jatiúca são frequentáveis e recomendadas. Bom para quem não pretende se deslocar muito para curtir a areia, e ideal para o turista que gosta de variar e conhecer diferentes pontos de banho. Naquela parte da costa do país, frequentemente chamada de caribe brasileiro, há bancos de corais, areias brancas, lagoas e vegetação alta. Cada canto vale a viagem: Francês, Gunga, Sonho Verde, Carro Quebrado, São Miguel dos Milagres ou Maragogi. Para circular entre esses pequenos oásis, o turista pode alugar um carro, usar os serviços de um taxista ou contratar passeios em empresas de receptivo. O importante é garantir mobilidade para circular pelas diferentes praias.
• Aluguel de veículo
Diárias a partir de R$ 120, com quilometragem livre. Por R$ 60 por dia, ainda dá para contar com o serviço de um motorista, disponível das 8 às 18 horas. Vale negociar descontos para mais de uma diária e pontos de entrega do veículo, todos com ar condicionado e direção hidráulica. JR Rent a Car, fone (82) 8893-4200 ou www.jrrentacar.com.br .
• Passeios com receptivo
Há várias opções de passeios coletivos nas empresas de receptivo que atendem à região. Na Tropicana, por exemplo, um city tour na capital e a visita ao Pontal da Barra, nas rendeiras, sai por R$ 40 por pessoa. Se o grupo familiar for maior, dá para contratar um privativo, por R$ 250, com motorista, em carro para seis pessoas. Os preços variam de acordo com o destino. Informações em www.tropicanaturismo.com.br ou no fone (82) 3235-7501.
• Vai de táxi?
Os motoristas de táxi também podem ser contratados por dia. Tanto para o litoral Norte quanto para o Sul, na Tele Táxi (82-3320-8900), a diária sai por R$ 246, em carro para quatro pessoas. Na Uni Táxi (82-3375-5050), os trechos são tabelados, apenas para viagens de ida ou de volta. Para a Praia do Gunga, por exemplo, a corrida custa R$ 94.
Serviço:
Projeto Peixe-Boi, Porto de Pedras (AL). A visita deve ser pré-agendada (geralmente o hotel entra em contato com a associação) e custa R$ 30. O passeio acontece todos os dias, com saídas das 9 às 15 horas. Informações pelo fone (82) 3298-6247.
O jornalista viajou a convite da Fundação Toyota do Brasil