Se o casamento resiste aos anos, chega-se ao segundo momento crítico. Aquele lindo bebezinho chorão já estuda, trabalha e resolve sair de casa. Alívio para os pais? Nem sempre. O ninho vazio faz com que pai e mãe se voltem um para o outro e esse reencontro pode ser fatal. Segundo a psicóloga e doutora em Psicologia do Desenvolvimento Rosa Mariotto, as pessoas que mais sofrem com essa fase são aquelas abriram mão de profissão e vida própria em função dos filhos. “A mulher se dedica aos filhos, à família e à casa. Quando esses filhos se vão, o que lhe resta? Angústia. A família realiza a mulher, é claro, mas não totalmente. É preciso haver espaço para o lado sexual, social e profissional”, diz.
O fato de o casal se tornar muito paternal é um agravante. “Ele a chama de mãe e ela o chama de pai. Aí vão abandonando a feminilidade e a virilidade”, diz. De acordo com Rosa, é preciso estar atento a essas modificações e reconhecer momentos de atrito, além de não depositar no filho toda a expectativa de felicidade.
A psicóloga Sandra Moreira de Oliveira, professora do Núcleo de Atendimento à Pessoa Idosa (Napi), da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), conta que é comum marido e mulher não se conhecerem mais depois de muito tempo juntos. “O problema é fingir que não está acontecendo nada. Tem que se perguntar se há a disposição para investir no casal. Se a relação não está boa, não adianta sair com as amigas, fazer um curso, começar a fumar ou qualquer outra coisa. Você empurra o problema pela porta e ele volta pela janela e as consequências são problemas psicológicos, físicos, agressões mútuas, vícios”, afirma.
Achar que a grama do vizinho é mais verde, que a geladeira é melhor e que o casamento é mais apaixonado na casa ao lado também é comum. “É preciso lembrar-se que o mundo não é ideal, que a felicidade depende do que queremos, do que estamos dispostos a fazer e que o segredo da vida é adaptação”, diz.
Nova fase
Adaptação é algo que a professora aposentada Aleaci Teresinha de Souza, 59 anos, aprendeu bem. No início do casamento com Ezequiel, 61, ela só tinha tempo para os filhos e a vida conjugal ficava de lado. “Quando as nossas duas filhas saíram de casa ficou um vazio. Mas os filhos fazem o que fizemos com nossos pais, é a lei da vida e temos que aceitar”, diz. Aleaci conta que eles superaram a fase rapidamente e passaram a fazer mais coisas juntos – e separados. Enquanto ele tem o pessoal com quem joga baralho e pesca, ela tem o chá com as amigas e o grupo de orações. “O casamento ficou melhor ainda por que não temos que nos preocupar tanto com as filhas. Temos nossa liberdade, passeamos, jantamos fora e viajamos”, conta. E se elas resolvem não aparecer nem para o almoço de domingo, o casal não reclama e nem pensa duas vezes, vai almoçar fora. “Elas até estranham. Quando viajam perguntam se eu não vou chorar por estarem longe. Eu fico é feliz por elas estarem curtindo bem a vida”, afirma. E parte para aproveitar a dela. (AC)
Serviço
Psicólogas Desirée Cassado (15) 3211-5961 e desiree@terapiacc.com.br, Rosa Mariotto (41) 3324-2432, Sandra Moreira de Oliveira (41) 3232-4087 e Tatiana Centurion (41) 3019-9553. Núcleo de Atenção à Pessoa Idosa (NAPI) (41) 3271-2367. Agradecimento: Patricia Tiyemi (http:// fotolog.terra.com.br/patriciatng).
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