Além da batata doce e do frango: conheça a rotina de fisiculturistas premiados
Amanda Milléo
20/11/2017 06:00
(Foto: Luther Imagens / Divulgação)
Conhecida como ‘Olívia Palito’ durante toda a infância e adolescência, e com uma carreira de modelo de passarela aos 15 anos de idade, foi difícil acreditar quando a Tati Bittencourt disse que nunca se preocupou com a parte estética do corpo – mesmo quando decidiu se aventurar pelas competições de fisiculturismo, aos 35 anos. Ao ver suas fotos nas redes sociais e conversar com ela por mais de uma vez, é compreensível e muito provável que a sua maior preocupação seja, mesmo, apenas a saúde.
De fala mansa e pausada, a campeã de diferentes modalidades do fisiculturismo começou no esporte de forma súbita e não esperava ganhar nada, apenas admirar os outros competidores. “Eu sempre fiz academia, mas sem exageros. Era sempre mais pela questão da saúde do que pela estética. Quando tive meu segundo filho, claro que o corpo mudou, e eu até pensei em fazer uma cirurgia. Na época, preferi investir em exercícios e reeducação alimentar. Anos depois encontrei um amigo em um shopping, que me sugeriu competir”, conta Tati sobre a primeira vez em que o fisiculturismo lhe pareceu uma boa ideia.
O amigo que a incentivou no esporte era Idemar Froldi Júnior, presidente da Nutrilatina, que ofereceu também um patrocínio logo na primeira competição. “Eu acabei ganhando em duas categorias: para mulheres até os 35 anos e acima dos 35 anos. Quem compete na segunda categoria pode competir nas duas, e foi o que eu fiz.” Hoje, Tati conta com outros patrocinadores, como a Companhia Athletica Curitiba e a Precor, marca de equipamentos fitness.
Foto: Luther Imagens / Divulgação
As vitórias, porém, não vieram sem esforço. Quando decidiu que competiria pela primeira vez, faltavam apenas 28 dias para o campeonato, o que exigiu treinos mais reforçados e uma alimentação restrita. “Fiz uma dieta bem limitada mesmo e ia para a academia 3 vezes por dia nesse período antes da competição. Fui da competição de estreantes para o campeonato paranaense e o brasileiro. Lá recebi o convite para competir no Arnold (de Arnold Schwarzenegger), que será no ano que vem”, diz Tati.
Embora a saúde seja ainda o pilar que norteie todos os treinamentos de Tati na academia, a alimentação sofreu uma mudança importante – para ela foi leve, mas pode ser vista como radical para a rotina alimentar de outras pessoas. “Depois que passei a competir, inclui várias coisas no dia a dia. Antes eu evitava comer doce e gorduras, mas hoje eu corto totalmente, por exemplo. Vegetais e proteínas eu como sem restrição, mas frutas não. Depende muito do tipo de fruta e do momento do treinamento. Agora eu posso comer banana e abacate, mas tem épocas em que eu só posso comer frutas cítricas.”
Foto: Luther Imagens / Divulgação
Ou seja, a dieta não se resume a batata doce e frango! Ainda assim, é difícil convencer outras pessoas de que essa seja, talvez, uma forma de se alimentar. Tati conta que nunca sentiu qualquer tipo de julgamento ou preconceito pelo seu físico – muitos bodybuilders recebem de amigos e familiares olhares de condenação quando passam a ‘crescer’ em músculo e tamanho.
“O fisiculturismo tem várias categorias e a minha é uma mais discreta. Há categorias em que as pessoas podem causar um choque maior, visualmente. No meu caso, o que eu percebi mais foi com relação ao comportamento alimentar. Nossa cultura é muito baseada em doces e carboidratos. E se você não faz parte desse costume, as pessoas estranham, mas não é bem um preconceito”, relata.
Quando questionada se esse é o momento mais feliz da sua vida, Tati é realista: sim, é um momento feliz, mas não, não é o mais feliz.
“Não dá para dizer que sou mais feliz, mas é um momento da minha vida diferente. Sem dúvida não quero isso para sempre, mas é muito bom. O fato de eu estar em um padrão rigoroso também não é algo que eu quero conduzir para sempre. Mas posso dizer que é uma fase muito feliz”.
O que faz? O que evita?
Uma das principais curiosidades que a população em geral tem dos fisiculturistas é saber a rotina: O que fazem? O que comem? O que evitam? Confira as respostas da Tati:
– Evita: doces em geral e frituras;
– Liberado: vegetais e algumas frutas, dependendo da época de treinos;
– Exercícios: depende também da época, mas no momento está de segunda a sábado, uma vez por dia, e eventualmente 40 minutos na esteira em casa.
Foto: Roger Santmor / Divulgação
Metódico e perfeccionista: Guilherme achou seu lugar
(Foto: Henrique Marques / Divulgação)
Mesmo quem mal conhece Guilherme Juliani Costa, de 27 anos, sabe que ele está no lugar certo. Metódico e perfeccionista, o jovem não perde um dia para a preguiça e, sempre que o horário aperta, ele corre para a academia. E ele foi assim desde a infância.
“Fiz natação, rugby e musculação, que eu comecei aos 14 anos. Sempre gostei. Tenho um tio que é professor de educação física, e ele me motivava bastante a praticar. Minha mãe trabalhava em uma academia, o que deixava o acesso mais fácil para mim e meu irmão fazermos exercícios”, conta o jovem, que em um desvio de percurso se graduou, primeiro, em Engenharia Florestal e agora termina o curso de bacharel em Educação Física pela UFPR.
Com esse currículo esportivo, a entrada no fisiculturismo começou cedo, aos 23 anos, mas de forma despretensiosa. “Eu sempre tive admiração pelo esporte de uma forma geral, e sempre tive vontade de competir em alguma coisa. A musculação sempre me chamou muito a atenção, eu gosto mesmo de treinar. E a decisão para competir veio como um desafio”, diz.
Desafiado, o perfeccionista Guilherme não deixou nenhum peso cair e conseguiu, na competição dos estreantes, o primeiro lugar na categoria júnior, além de muitos elogios. “Falaram que eu estava bonito e que tinha ido bem e isso me motivou a continuar, a ver os próximos campeonatos.” Ganhou, inclusive o patrocínio da Companhia Athletica Curitiba.
(Foto: Henrique Marques / Divulgação)
Se a disciplina do jovem era regrada, depois das primeiras conquistas ela se tornou ainda mais. O mantra de treinar todos os dias, ter o compromisso de dar o melhor, descansar bem e se alimentar bem estava sempre presente. Tanto que, para os amigos e colegas, ele é um ser ausente de festas e baladas – e isso não o incomoda.
“Não vou chamar o Guilherme porque ele é chato, não come, não bebe. É isso que falam, mas não fico chateado. É verdade, eu não bebo, eu não fumo, não tenho hábito de sair para a balada, bar, nada disso me chama atenção”, diz o jovem, focado em três coisas: treino, trabalho e estudo.
Neste momento, com as próximas competições marcadas em datas distantes, o período é ideal para ganhar peso e treinar de forma mais intensa. Nos momentos pré-campeonato, as refeições mudam e o exercício também fica mais leve – sem um bom aporte calórico, não se pode exigir demais do corpo.
“Por enquanto estou em um período de base, mais intensidade nos exercícios, mas em um volume baixo. Então eu vou só uma vez ao dia para a academia, de segunda a domingo. Só deixo de treinar se eu não me sentir bem ou se eu precisar de um descanso”, conta Guilherme, que não nega: “sim, é tudo bem metódico porque eu sou assim”.
(Foto: Henrique Marques / Divulgação)
O que faz? O que evita?
Uma das principais curiosidades que a população em geral tem dos fisiculturistas é saber a rotina: O que fazem? O que comem? O que evitam? Confira as respostas do Guilherme:
– Evita: doces em geral;
– Liberado: segundo Guilherme, o fisiculturista está o ano todo de dieta, e ele mantém a sua regrada, sem deixar de lado o trio: arroz integral, feijão e carne magra;
– Exercícios: depende também da época, e no momento ele treina todos os dias, uma vez por dia.