Comportamento
Muito do charme daqueles que ultrapassam os 40 anos está ligado à segurança que normalmente se adquire nesta fase. A psicóloga Cléia Oliveira Cunha explica que, com a experiência de vida, angústias masculinas são resolvidas, abrindo espaço para novas reflexões e horizontes. “A atratividade do homem está ligada à postura física, segurança e autoestima. É comum nesta idade ele ter definido sua profissão e adquirido segurança financeira, questões que são socialmente cobradas deles.”
Mudanças
Do alto dos seus 65 anos, o empresário divorciado Antônio Carlos Janini Franco diz que suas rugas e cabelo branquinho não causam nenhum tipo de constrangimento, pelo contrário. “Eu me dou muito bem com a idade e sempre foi assim. Os homens encaram melhor as mudanças no corpo, mesmo porque o padrão de beleza (que é ilusório) é cobrado mais da mulher”, diz. O filho dele, Fabiano Volpe Franco, 35, depois do susto de começar a ficar grisalho com 22 anos, já encara numa boa as transformações que vêm com o tempo, assim como os amigos que foram ficando carecas, barrigudos… “No início incomodou um pouco, pensei ‘tô ficando velho’, mas depois a gente se acostuma e fica tranquilo. Mesmo porque a mulherada acha charmoso homem grisalho”, diz.
Longe do altar
Assim como lá atrás citamos os atores Brad Pitt e George Clooney como bons exemplos de (quase) cinquentões que arrancam suspiros de qualquer mulher, voltamos a eles para falar de outro assunto que envolve os homens maduros: o casamento.
Enquanto o primeiro foi à Justiça recentemente para assinar uma declaração legal dizendo que não pretende se separar da mulher, a também atriz Angelina Jolie, com quem tem seis filhos, o segundo leva uma vida semelhante à mostrada em seu último filme, Amor Sem Escalas, em que representa um solteirão convicto, que (inicialmente) não quer saber de nenhum tipo de compromisso.
Costumamos ver os solteirões como homens bem-sucedidos, que se garantem sozinhos e não encaram relacionamentos porque não querem “dor de cabeça”. Ingênuo engano! Segundo o psicólogo e mestre em Educação Marcos Meier, são raros os casos de homens que assumiram a vida de solteiro por vontade própria – apenas uma minoria dá certo sozinha. “O solteiro nessa idade mais avançada tem tendência a querer ser um adolescente, muitas vezes ele é imaturo emocionalmente e tem dificuldade em lidar com questões sérias”, diz. Seriam aqueles homens divertidíssimos, cuja companhia é agradável e valorizada, mas apenas por um curto período.
Assim como não assume um relacionamento amoroso, o homem com esse perfil tem problemas na vida profissional. “Ele tem baixo nível de resistência a frustração, sofre com a solidão e com a necessidade de tomada de decisão. É um cara inteligente, criativo, mas não evolui profissionalmente ou financeiramente como poderia, pois não quer assumir compromisso. Fica para trás enquanto outros evoluem.”
Segundo o psicólogo, geralmente são os integrantes do outro grupo – o dos casados – que roubam o lugar dos solteirões temerosos. Por terem uma estrutura familiar e filhos que servem como uma base de sustentação emocional, os casados teriam maior segurança para assumir projetos mais ousados e crescer na carreira. “Estes já sentem mais a dor da vida, têm as contas para pagar, sabem que têm de lutar para conseguir o que querem e que os conflitos fazem parte da vida.”
Histórico familiar
Para a psicóloga Cléia Oliveira Cunha, a postura dos solteirões também está ligada ao passado familiar. “Se ele saiu da casa dos pais e construiu uma carreira solteiro, é maior a probabilidade de ele ficar por mais tempo desvinculado de ‘compromissos afetivos’.” Ela explica que, quanto menor é o tempo que temos com a nossa individualidade, maior é a possibilidade do convívio em uma relação de casamento. “Na medida em que consigo viver a solidão real de todos nós, desenvolver gostos, prazeres e formas de ser uma boa companhia para mim mesmo, mais difícil fica estabelecer a relação de casamento. Por isso, logo teremos cada vez mais solteirões ou casamentos tardios, pois cada vez mais as pessoas procuram se conhecer, se individualizar e não ter de responder a determinadas cobranças da sociedade”, diz.
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