Comportamento

Mudança de perfil

Adriano Justino
13/11/2006 00:00
Há 30 anos, cerca de 90% das adoções eram feitas ilegalmente – a chamada adoção à brasileira, na qual se registra um filho de outra pessoa. “Não se falava de adoção como de fato um outro tipo de filiação, tudo era sussurrado, um segredo, algo marginal. Hoje a regra ética é sempre contar para o filho”, conta a psicóloga Lidia Weber, cuja tese de doutorado foi uma pesquisa com 400 famílias que resultou no livro Pais e Filhos por Adoção no Brasil: Características, Expectativas e Sentimentos. Ainda hoje, quase 50% das adoções são ilegais, mas os dados apontam uma clara diminuição desse número.
Conforme Lidia, começou-se a falar de adoção no Brasil de maneira mais sistemática há pouco mais de 10 anos. Em seu trabalho, ela constatou que o maior problema na relação entre pais e filhos por adoção ocorre nos casos de revelação tardia ou inadequada. A idade da revelação é fundamental: enquanto 13% dos que souberam antes dos 6 anos mostraram reações negativas, 65% daqueles que souberam depois dos 6 anos mostram esse tipo de reação.