Comportamento

No caminho do bem

Mariana Sanchez - arianab@gazetadopovo.com.br
27/12/2009 02:04
Responda sinceramente: você se sente triste depois de devorar sozinho uma torta de chocolate? Quan­­­do algo dá errado, a única coisa capaz de levantar seu ânimo é uma sessão de compras no shopping? Se as respostas foram afirmativas, é sinal de que você está vivendo os efeitos colaterais de uma sociedade que se distanciou da busca pelas virtudes.
As virtudes podem ser entendidas como a prática de hábitos que levam o ser humano para o bom caminho, uma “disposição adquirida para fazer o bem”, segundo o filósofo grego Aristóteles. Também chamadas de virtudes cardeais, elas são a temperança, a fortaleza, a justiça e a prudência. Na explicação do doutor em Educação pela UFRJ, João Malheiro, estes quatro pilares brotam dos motores que determinam as escolhas do homem: afetividade, vontade e inteligência, sendo a primeira a mais forte de todas. “A afetividade tende a determinar todas as escolhas que fazemos, e isso é perigoso, porque fazer apenas o que se gosta sem refletir contraria a condição humana da inteligência, aproximando-nos dos animais”, aponta Malheiro, que também é autor do livro Ética e Educação. Segundo ele, hoje a educação das crianças não está mais sendo orientada para tais valores, especialmente os da temperança e da fortaleza, que formam a base do indivíduo. O resultado é um retardamento da adolescência e pessoas que chegam à fase adulta sem qualquer maturidade emocional para agir com prudência e justiça.
O filósofo e professor Carlos Ramalhete chama atenção para os riscos de uma sociedade hedonista, que valoriza o prazer ilimitado e tem tudo ao seu alcance imediato. “As adversidades fazem parte da vida. O problema é que, como aprendemos a viver no conforto, sem dor, encarar qualquer dificuldade acaba sendo um grande susto”, reflete. Baseado em conceitos aristotélicos, ele lembra que toda virtude é o caminho do meio entre dois extremos, o exagero e a deficiência. A coragem, por exemplo, está no meio-termo entre a temeridade e a covardia, assim como o avarento e o esbanjador estão bem longe de saberem usar seu dinheiro com prudência.
Mas o que fazer para ser uma pessoa virtuosa e desfrutar a vida em sua plenitude? Acompanhe a seguir o que diz cada uma das virtudes cardeais e como elas podem ser aplicadas no dia a dia. Lembre-se que, segundo o filósofo grego, as virtudes se aperfeiçoam com o hábito. Neste caso, o jeito é colocá-las em prática o quanto antes.