Comportamento
Felizmente, não foi o que ocorreu quando fui atendida por Odair Oliveira, 33 anos. Manicuro há mais de uma década, ele é o primeiro homem formado pelo Senac Paraná na profissão, na turma de 1998. Naquela época, havia deixado o município paranaense de Dois Vizinhos, onde morava, para fazer um curso de cabeleireiro na capital, com o objetivo de voltar à cidadezinha e abrir seu próprio salão. “Mas aí lembrei que teria que contratar alguém para ser manicure e achei melhor eu mesmo aprender o ofício”, conta. Com três meses de curso, uma professora o convidou para trabalhar em um salão pequeno. Ele aceitou e até hoje mora em Curitiba, onde já foi professor de Aperfeiçoamento para Manicures no Senac, ensinando técnicas de unhas de porcelana, gel e acrigel (acrílico com gel).
Atualmente, Odair é o único manicuro de uma rede de salões de beleza em Curitiba e um dos poucos da cidade. “Em São Paulo e no Rio de Janeiro é mais comum encontrar homens nesta área, já aqui são mais raros”, explica.
Odair, que já foi casado e tem três filhos, afirma ter se dado bem na profissão. “A maioria das minhas clientes me conhece há muito tempo e as novas vêm por indicação delas. Ter clientes que sempre voltam é uma grande realização”, orgulha-se. Ele também diz ser admirado por suas colegas de trabalho, mas já sentiu na pele o clima de competitividade. “Uma manicure dizia que precisava terminar as unhas de sua cliente antes de mim. ‘Onde já se viu perder para um homem?’, ela falava”. Odair costuma levar uma hora para fazer as unhas dos pés ou das mãos de cada cliente, mas não se considera lento. “É que sou bastante minucioso, gosto de tirar bem os cantos, tratar cada pessoa de forma individualizada”. Para ele, conversar e fazer brincadeiras com as clientes é saudável, desde que haja respeito acima de tudo. “Meu trabalho envolve muita intimidade, então é preciso saber identificar o limite de cada pessoa”, avalia. Odair já atendeu alguns homens – está cada vez mais na moda rapazes que cuidam das unhas. O salão Barbearia Clube, por exemplo, especializou-se neste público e garante que isso é mesmo “coisa de macho”. É pena que lá não havia nenhum manicuro para contar para nós as suas histórias.
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