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Antes mesmo de se concretizarem as entrevistas, eu já me deparava com a realidade de encontrar legítimos don-juans. As conversas não poderiam ser feitas por telefone. A explicação: eles se expressam muito melhor pessoalmente, argumentavam. O que faz todo sentido. Afinal, don-juans que se prezem olham nos olhos de suas presas – ou de suas interlocutoras, como era o caso –, fazem delas as pessoas mais importantes do mundo naquele intervalo de tempo e mais: utilizam-se da munição que você mesma oferece para ser “abatida”. Um almoço, um café da tarde e uma visita na redação depois e eis-me cheia de anotações a respeito desses sedutores incorrigíveis.
A primeira delas é que sim, você pode se divertir muito com eles, desde que não acredite ser a única em suas vidas. Pelo menos enquanto eles tiverem receio de estreitar qualquer laço afetivo ou, nas palavras dos próprios, não tiverem encontrado a mulher de suas vidas. Em outras palavras, é tempo de experimentar. Outra observação: don-juan que é don-juan é bom de conversa. “Isso não tem nada a ver com beleza. Ele é um mestre em comunicação analógica, que não é só a verbal, mas a que se dá pelos trejeitos, pelo gestual. Ou seja, ele fala o que você quer ouvir, o seu jogo é absolutamente convincente”, diz Rosangela Lopes de Camargo Cardoso, psicóloga clínica. O don-juan, segundo ela, é um especialista na arte da sedução, sabe criar um clima de romance, é cortês, faz juras de amor, mas sofre por não conseguir alimentar seus vínculos, ou seja, sente-se incapaz de manter suas conquistas. Esse comportamento pode ser reforçado por histórico familiar, relações anteriores e até a dinâmica social contemporânea.
Para Maria Luiza Vieira Fava, psicoterapeuta de família, o don-juan se atualiza conforme a época e hoje se utiliza de formas de relacionamento como o “ficar”, que lhe permite a conquista, a satisfação e o abandono como conseqüência. “O ficar de agora, cuja marca é a falta de compromisso, casa com a essência do don-juan. E para atingir esta meta eles são ousados, é como se fosse um desafio incontrolável a ser vencido. O prazer está em conseguir. Eles fogem do compromisso e do compartilhar intimidade de fato. Podemos dizer que o seu jogo de sedução tem uma roupagem feminina – são doces, fazem juras de amor eterno, são prestativos, sempre disponíveis, até que sua ‘presa’ caia na rede”, comenta.
Roberto Gonschorovski, empresário, solteiro, 35 anos, vestiu-se dia desses de Zorro – outro esteriótipo de sedudor – para uma festa à fantasia. Na capa carregava botões de rosa. Distribuiu-os, segundo ele, numa clara estratégia de “geração de oportunidades”. Além de encantar as meninas escolhidas, poderia chamar a atenção indiretamente de algumas de suas amigas. “Não se pode ser previsível na conquista, é preciso manter o interesse, falar de menos e perceber mais. Não faço propaganda. Vou lá e arrebento”, diz, sem modéstia. “E quer saber? O índice de rejeição não chega a 5%”, brinca. Ele aproveita para aconselhar outros don-juans: “Não se pode esmorecer jamais e dançar é meio caminho andado para uma conquista.”
Serviço: Maria Luiza Vieira Fava (psicoterapeuta de família, em formação junguiana), fone (41) 3338-7770 / Rosangela Lopes de Camargo Cardoso (psicóloga clínica, psicodramatista, terapeuta sistêmica e mestre em Educação), fone (41) 3223-9564.
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