Comportamento

Sem idealização

Adriano Justino
13/11/2006 00:13
“Quando a minha primeira filha nasceu, olhei para aquele bebezinho e tive medo. Não tive aquela reação romântica que a gente lê nos livros.” A frase da professora Juçara Monteiro Rosa, 52 anos, serve para ilustrar o quanto se idealiza a maternidade e a paternidade – sejam elas biológicas ou por adoção. “A questão é se dispor, estar aberto à adoção.”
Ela, o marido Sérgio, administrador de 57 anos, e os filhos biológicos Francine, 28, Bruna Caroline, 26 e Daniel André, 24, viram suas vidas mudar da noite para o dia depois que conheceram o indiozinho Adenilson Poti, hoje com 8 anos. Na época, ele tinha 4 e estava internado em no hospital em que Francine tinha aulas. para tratar uma pneumonia. O pequeno havia sido submetido a uma traqueostomia e sofrido um traumatismo craniano.
A convivência com Poti fez o casal – e toda a família – pensar em adoção, já que ele precisava de cuidados médicos que dificilmente teria na aldeia em que vivia. Na intenção de proteger o menino, fizeram o caminho inverso, desaconselhado pela Justiça. Com ele já em casa, enfrentaram um ano e meio de processo judicial, sem saber se Poti poderia ficar. “Dava ansiedade, medo, mas desde o início eu tinha certeza que o bom senso ia prevalecer. Aquele amor que ia crescendo cada vez mais dentro de mim me dava muita força”, conta Juçara.