Comportamento

Tudo o que você quer ter

Jennifer Koppe
05/11/2006 22:07
jenniferk@gazetadopovo.com.br
Comprar é um dos maiores prazeres da sociedade atual. Grande parte das nossas atividades giram em torno do consumo. Trabalhamos horas a fio, corremos contra o tempo e abdicamos dos simples prazeres da vida em troca de dinheiro. Dinheiro este que nos ajudará não somente a pagar contas e a sobreviver, mas também a realizar projetos e buscar sonhos.
Há tempos, a compra era diretamente relacionada às necessidades básicas. As relações sociais se davam na igreja e na escola. “A urbanização traz um novo modelo social, em que as relações hoje estão condicionadas ao consumo. No shopping center, as pessoas se encontram não só para comprar, mas para socializar, se divertir”, analisa o sociólogo e professor da PUCPR, Lindomar Wessler Boneti.
Conforme a psicóloga e analista do comportamento do consumidor Solange Lucie Machado, o consumo é mais uma forma de expressão, que manifesta as características de alguém, seus valores, escolhas e gostos. “Consumir é também uma forma de comunicar-se com o mundo, manifestar-se nele”, explica.
O velho provérbio diz que dinheiro não traz felicidade, certo? Mas para muitos, a afirmação está distante da realidade. O prazer imediato e a satisfação garantida alcançada com uma compra fazem parte de sua busca pelo bem-estar. Para quem vive em uma sociedade capitalista, é praticamente impossível fugir desta relação. E não há nenhum crime nisso, a não ser que os gastos se tornem o único objetivo da vida e ultrapassem os limites do bolso. Aí o dinheiro se torna problema, não solução.
“Ter e ser não são dois pólos mutuamente excludentes. Quem está atento para o real conhecimento de si mesmo, buscando permanentemente desenvolver-se e tornar-se uma pessoa mais completa, pode ‘ter’ sem problemas. Mas quando consumir é o caminho preferencial ou único de expressão da individualidade, negando as múltiplas possibilidades da existência humana, então temos um problema”, argumenta Machado.