Comportamento

Vida nova

Eduardo Ferreira, 28 anos, mecânico.
27/11/2006 00:48
“Tive uma experiência trágica na minha vida. Meus pais se separaram quando ainda era novo e precisei trabalhar desde cedo para ajudar nas despesas de casa. Aos 15 anos, conheci a maconha e comecei a fazer uso dela quase que diariamente até os meus 24 anos. Então, conheci o crack. A partir daí, comecei a perder tudo o que eu tinha em muito pouco tempo.
Minha família queria que eu me tratasse de qualquer maneira, mas quem tem que querer somos nós mesmos. A partir do momento que eu decidi buscar ajuda, fui por conta própria. Não queria mais aquela vida.
Fiquei internado durante 39 dias no Hospital de Psiquiatria San Julian, em Piraquara. Sem esse tempo lá, não conseguiria me manter abstinente. Pelo menos uma vez por semana, passo quatro horas lá dentro, fazendo trabalho voluntário, justamente para não esquecer de que sou doente e que tenho uma doença crônica, progressiva e fatal. O serviço voluntário é uma das principais maneiras que encontrei para a minha abstinência ser completa.
Não posso deixar de falar da minha família. Ela foi e continua sendo fundamental para a minha recuperação, pois me acompanha e me dá forças todos os dias. A minha irmã é única. Ela sempre me apoiou e me dá todas as condições para eu continuar o meu tratamento. A minha namorada também nunca me abandonou nestes cinco anos em que estamos juntos, mesmo contra a vontade dos seus pais. Mas hoje eu entendo a preocupação deles.Por incrível que pareça, posso dizer hoje que existiu um lado positivo em toda essa experiência. Aprendi a dar mais valor às coisas, viver com mais intensidade, valorizar a imensidão da nossa existência e principalmente as pequenas coisas.”