Moda e beleza

Na área da saúde, substância é grande aliada

Adriano Justino
10/05/2009 03:12
Muito conhecido entre os vaidosos de plantão para o tratamento antirrugas, a toxina botulínica também pode ser utilizada para outros tratamentos. Embora a toxina tenha se popularizado nos consultórios dermatológicos, não se assuste se o seu médico propuser para usá-la contra a enxaqueca.
Foi o que aconteceu com a secretária Cláudia Maria Cadamuro, 55 anos, que passou 30 anos de sua vida sofrendo com as fortíssimas dores de cabeça. Durante um tratamento com sua oftalmologista, ela foi surpreendida com a oferta de tentar utilizar a toxina botulínica para amenizar as dores. Depois de ter passado anos à base de diversos remédios e tratamentos, Cláudia aceitou e fez uma sessão, com uma aplicação no lado direito da testa e outra na nuca, locais nos quais ela sentia mais dores.
De acordo com a oftalmologista Neusa Ronda, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular, que realizou o tratamento, o botox é muito eficaz no combate à enxaqueca, pois alivia a tensão muscular. “Dentre as opções, é o mais eficiente. Pouca gente conhece porque não é muito divulgado, mas dá bons resultados e dura em média de quatro a seis meses”, explica. Neusa deveria ter prosseguido no tratamento, mas como ficou desempregada acabou não fazendo mais sessões. Mesmo assim, afirma que hoje só tem dores de cabeça mais leves. “Nunca mais tive enxaqueca”, comemora.
Os especialistas explicam que o tratamento para algumas dores e problemas neurológicos com a toxina botulínica é antigo, mas que ela só foi popularizada com a divulgação do tratamento antissinais. Além das dores de cabeça, o produto é usado no tratamento do torcicolo, da hiperidrose – suor excessivo nas axilas, plantas de pés e mãos –, paralisia central em crianças, hipertonia das cordas vocais, derrame, paralisia cerebral, traumatismo craniano, lesões medulares e outras doenças do sistema nervoso.
O dermatologista Maurício Sato diz que a toxina botulínica é uma grande aliada no tratamento de reabilitação de pessoas que sofreram derrames, por exemplo, e é utilizada com bastante sucesso. Ela minimiza o tônus muscular, que é um forte obstáculo para o tratamento neurológico. “Com ela, os resultados são mais amplos e os pacientes ficam mais independentes e socialmente ativos”, diz. (AS)