Conforme especialistas, não é bem assim. Os produtos são bons e passam por provas microbiológicas, senão não teriam a certificação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), diz o coordenador do curso de Biomedicina da Faculdades Pequeno Príncipe, Rogério Saad Vaz. Mas, no caso dos sabonetes, se não houver o procedimento correto de lavagem das mãos, de nada adiantam.
Além disso, podem causar problemas. “Nossa pele tem bactérias boas e ruins. As boas são necessárias contra as agressões externas”, explica a dermatologista pediátrica Nadia Almeida. Ou seja, ao diminuir as bactérias benignas e a hidratação da pele, os produtos químicos contidos nesses sabonetes podem favorecer o aparecimento de alergias e infecções virais. A dermatologista lembra que esses sabonetes são indicados apenas em alguns casos. E somente durante o tempo do tratamento.
Para Vaz, a venda deveria se dar com orientação correta – do médico ou farmacêutico. O professor de Dermatologia do Hospital de Clínicas (HC) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Jesus Rodriguez Santamaria concorda e conta que há pacientes que chegam com irritações na pele causadas por esse tipo de produto. “Não é indicado usá-los como rotina. E, a qualquer sinal de irritação na pele, o uso deve ser interrompido.” Santamaria recomenda para o dia a dia o sabonete “mais barato”. E lembra que, no inverno, idosos, crianças e quem tem pele sensível devem ensaboar só as dobras e partes íntimas, para evitar ressecamento.
Os produtos para roupas, ao se acumular, também podem causar alergias nas pessoas mais sensíveis.
Mãos limpas
O infectologista pediátrico e professor de Pediatria do Curso de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Victor Horácio afirma que para a formação da flora bacteriana normal a criança precisa ter contato com o meio em que vive. Mas chama atenção para a importância do hábito de lavar as mãos após as refeições, idas ao banheiro e contato com superfícies sujas – como dinheiro. Lembra ainda que a adoção do álcool gel e de lavagens de mãos mais frequentes durante o surto de gripe A (H1N1) fez cair o número de casos de outras doenças, como conjuntivite e gripe comum. “O hábito deve ser mantido”, diz. Mas todos concordam: o sabonete comum dá conta do recado.
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