Saúde e Bem-Estar

O que ainda preocupa na AIDS

Daniela Neves - danielan@gazetadopovo.com.br
13/12/2009 02:12
Quem é um paciente de aids? Se essa pergunta lhe fosse feita há 20 anos, provavelmente vo­­­cê descreveria alguém frágil, debilitado e à beira da morte. Hoje, com o coquetel de remédios, o portador do HIV não tem rosto. “Os pacientes vivem bem e não se consegue perceber quem é quem. Mas ainda existe aquela ideia de que o portador de HIV é magro, como o Cazuza. O portador pode estar saudável, pode ser rico, religioso, filho de político, com ou sem sobrenome importante”, diz a infectologista Ciane Mackert. Acostumada a atender pacientes pelo programa DST/Hepatite/Aids da prefeitura de São José dos Pinhais, ela resolveu escrever livro Deu Positivo. E agora Doutor?, em que trata do estigma que acompanha a aids, apre­­­­sentada em 1981 ao mundo como “peste gay”, doença de marginais e prostitutas.
Receber a notícia de ser soropositivo é bem diferente do que há 15 anos, quando quem portava o HIV sentia-se recebendo uma sentença de morte. Em 1995, os portadores do vírus passaram a ter acesso ao coquetel de remédios, que melhorou significativamente a qualidade de vida dos pacientes. “Depois da terapia HAART, que traduzindo significa terapia antirretroviral altamente ativa, tivemos uma outra dimensão no tratamento. A aids passou a ser tratada como doença crônica, o paciente tem a capacidade de viver como qualquer outra pessoa”, afirma a médica.
Dados
As últimas notícias a respeito da evolução da aids geram um certo alívio. A incidência do HIV diminuiu em 17% nos últimos oito anos em todo o planeta, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Mas ainda não dá para comemorar. Nas grandes cidades brasileiras houve queda de 15% nos casos entre 1997 e 2007. Porém, nos municípios com menos de 50 mil habitantes a incidência do vírus HIV quase dobrou.
Embora hajam avanços, os médicos que lidam com a doença são unânimes em dizer que o Brasil não pode “baixar a guarda”. “Milhares de pessoas no mundo inteiro estão infectadas. Existe tratamento, vive-se bem, mas não estamos em uma situação confortável”, diz o médico infectologista Esper Georges Kallás, da Universidade de São Paulo (USP) e do Hospital Sírio Libanês. A estimativa é que haja aproximadamente 700 mil infectados no Brasil, segundo Esper. O problema é que a metade não sabe que tem a doença. Por isso fazer o teste é tão importante.
Em unidades de saúde, qualquer cidadão tem acesso ao teste gratuito. O resultado sai na hora e, em caso de positivo, o paciente é encaminhado para um especialista. Mesmo com essa possibilidade, o número de pessoas que faz o teste ainda é baixo. O diagnóstico precoce quebra a cadeia de transmissão. Quanto antes o paciente souber que é portador, maiores chances há de que ele não transmita o vírus e de que viva bem, controlando a doença com os medicamentos.
O uso de preservativos nas re­­­­lações sexuais ainda não é regra entendida por todos. E, de acordo com os médicos, cada vez que surge uma notícia de uma pesquisa sobre vacina anti-HIV, mesmo que as pesquisas ainda sejam incipientes, o número de infectados volta a aumentar. A vacina ainda é um sonho pelo qual cientistas do mundo inteiro estão batalhando. “Várias pesquisas estão em andamento há anos e tivemos muitos avanços, porém, muitos desapontamentos também”, diz Esper Georges Kallás.
As perguntas mais frequentes
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Serviço: Deu Positivo. E Agora Doutor? HIV-AIDS – As perguntas que ainda permanecem depois de anos, de Ciane Mackert, editora WAK. R$ 27.