Saúde e Bem-Estar

Virilidade pirateada

Adriana Czelusniak - adrianacz@gazetadopovo.com.br
21/06/2009 03:12
A pirataria de medicamentos é um mal que atinge o mundo todo. No Brasil, estima-se que a cada cinco medicamentos vendidos, um seja falso, contrabandeado ou sem registro de comercialização. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), durante o primeiro trimestre deste ano foram apreendidas 170 toneladas de medicamentos irregulares. A maior parte dos remédios apreendidos são os indicados para as dificuldades de ereção, provenientes do Paraguai, Índia ou China.
O preço mais acessível e a facilidade de compra seduzem consumidores, que acham esses remédios em páginas na internet, camelôs, lojas e drogarias irregulares. Apesar de baratos, tais medicamentos expõem quem os consome a riscos que vão de efeito inócuo até a contaminação com substâncias desconhecidas. Segundo o urologista Luiz Carlos de Almeida Rocha, esses medicamentos não são seguros. “Eles não foram manipulados em laboratórios credenciados nem têm controle de qualidade. Não há como prever riscos já que não dá para saber a composição de um medicamento falsificado”, diz.
O médico esclarece que, após os 60 anos, 50% dos homens têm problemas de ereção em algum grau. A vergonha em admitir o transtorno ainda é uma barreira e pode favorecer a automedicação e a dificuldade em avaliar se o medicamento está ou não tendo os efeitos desejáveis. “Nos casos de disfunção erétil, ou a pessoa procura o médico porque realmente quer tratar o problema ou não chega a mencionar o problema. Se você não perguntar ele não lhe conta que está com dificuldade de ereção”, diz Rocha.
Contra-ataque
A Anvisa, o Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNCP), a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal têm apertado o cerco contra a falsificação de remédios com ações conjuntas em vários estados. Quem é pego envolvido na falsificação de medicamentos pode ter de responder pelos crimes de contrabando e contra a Saúde Pública, com pena de até 15 anos.
Os laboratórios também compraram a briga e têm feito diversas ações para ajudar o consumidor a entender a importância de se adquirir produtos regularizados.
A Bayer, fabricante do Levitra, desenvolveu um site exclusivo para auxiliar os consumidores, com dicas para identificar a caixa de remédios original, notícias, telefones e links para denúncias. “Nossa intenção é nos aproximar de nossos clientes para que saibam que deparar-se com um remédio falso pode acontecer e, se acontecer, eles consigam diferenciá-lo”, diz Joseph Person, diretor jurídico do grupo Bayer no Brasil.
A empresa também realiza treinamentos internos com representantes de vendas e ações em feiras e eventos para a conscientização da comunidade médica e dos consumidores. “A indústria de medicamentos tem desenvolvido ferramentas para distinção de produtos não-originais e isso deve ser complementado com a lei que estabelece o acompanhamento e a individualização de cada caixinha de remédio”, completa Person.
A lei mencionada é a 11.903, de janeiro deste ano, que pela criação do Sistema Nacional de Controle de Medicamentos possibilita o rastreamento eletrônico de todos os remédios vendidos no mercado brasileiro por meio de código individual impresso na embalagem.
Cara limpa
A Pfizer, fabricante do Viagra, e a Lilly, do Cialis, também estão emprenhadas em combater a falsificação. Ambos medicamentos circulam hoje com nova embalagem e apresentam diversos recursos para que a população consiga identificar o medicamento original e seguro. De acordo com o diretor de assuntos coorporativos da Lilly, Alan Finkel, o consumidor é a chave principal para o combate à pirataria. “São duas formas que recebemos notícias sobre a pirataria. Uma delas é pelas apreensões da polícia e a outra é pela pessoa que identifica ou adquire a caixa e entra em contato com o serviço de atendimento ao consumidor”, diz.
Site Bayer Contra a Pirataria:
www.bayercontrapirataria.com.br.