Caracterizada por condutas inadequadas dos animais, como latidos e comportamento destrutivo, a Síndrome de Ansiedade de Separação é uma condição que acomete cães que são afastados de suas figuras de apego – lugar ocupado principalmente por seus donos. O doutor em medicina veterinária pela Universidade Federal Fluminense Guilherme Marques Soares pesquisou essa condição em cães que ficam sozinhos em apartamentos em um bairro de Niterói (RJ). Segundo dados obtidos com donos de 93 animais, 52 deles (55,9%) apresentaram sinais compatíveis com a síndrome. Cerca de 53,8% deles latiram em excesso, 46,1% apresentaram comportamentos destrutivos e 34,6% foram diagnosticados com quadros depressivos. Outro dado interessante revelado pela pesquisa, publicada em março deste ano, foi o fato de que 52,1% dos cães cujos donos os levam para passear diariamente apresentavam sintomas da síndrome, enquanto entre os que não passeiam esse número foi de 73,7%. Os números são altos porque incluem também animais que tem, ocasionalmente, um ou outro sintoma. Confira a entrevista:
O que caracteriza a Síndrome de Ansiedade de Separação e como os donos podem detectá-la?
Ela se caracteriza pela alteração de comportamento do cão quando é separado da figura de vínculo. As alterações de comportamento mais comuns são: vocalização excessiva (latidos, choros, uivos ou ganidos); comportamento destrutivo (roer, mastigar ou arranhar objetos pessoais do proprietário ou rotas de fuga como portas e janelas); micção e defecação em locais inapropriados; comportamentos compulsivos (morder ou lamber a pata sem parar); e depressão (o cão não come, não bebe, não urina e não defeca). Esses comportamentos alterados surgem na ausência da figura de vínculo (humano ou animal). Os proprietários percebem o problema, que na grande maioria causa incômodo. Das alterações de comportamento, a depressão muitas vezes até agrada o proprietário, que equivocadamente gosta do cão ou gato mais “calmo”.
De que forma a síndrome prejudica o animal?
A cada episódio de “solidão” o cão desenvolve um quadro de estresse que, se for prolongado ou muito frequente, pode trazer consequências como a queda da imunidade ou alterações dermatológicas. Outro prejuízo direto para o animal são os transtornos compulsivos que, normalmente, se estendem além dos momentos de “solidão”. É comum esses cães desenvolverem lesões decorrentes da lambedura excessiva, por exemplo. Além desses, há um prejuízo indireto para os cães. As alterações de comportamento geram problemas na relação com o proprietário na medida em que geram confusão com os vizinhos, destruição de objetos e eliminações (micção e defecação) em locais inapropriados. Os proprietários frequentemente atribuem esses comportamentos à pirraça, como se o cão fizesse essas coisas em retaliação ou por vingança. Com isso, os donos passam a rejeitar o animal, o que agrava o problema. Outro fato relevante é que os proprietários acabam deixando de sair de casa para evitar que seus cães fiquem sozinhos.
Quais são as consequências e possíveis tratamentos para isso? O dono pode fazer algo?
A principal consequência é um forte impacto na qualidade de vida do cão e do proprietário. Os tratamentos devem ser prescritos por um médico veterinário, já que cada caso necessita de uma abordagem individual. O proprietário tem um papel fundamental na prevenção. Cães que passeiam mais e interagem mais com seus proprietários (brincadeiras dirigidas, como buscar bolinhas, por exemplo), desenvolvem a síndrome com menor frequência. Outra contribuição importante que o dono pode fazer para prevenir o problema é evitar que o cão crie um vínculo excessivo com as pessoas da casa. Para isso, ele deve ter o seu espaço e deve ser ensinado a ficar sozinho ali desde filhote. O proprietário pode ainda procurar um veterinário assim que o cão começar com os sinais e nunca considerar que o cão faz “bagunça” como pirraça ou por vingança. A bagunça toda pode até não ser por Ansiedade de Separação,
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