Por muito tempo
Cuidar de um cachorro é um compromisso por, no mínimo, doze anos, que é a média de vida do animal. O dono é responsável por ele durante todos os dias do ano. Por isso, a decisão deve ser firme, pois não dá para abandonar o animal depois de levá-lo para casa. “É muito comum isso aconter quando a pessoa pega um animal por impulso, porque viu em algum lugar e achou bonito ou alguém da família pediu. Cerca de 60 % dos abandonos acontecem porque a aquisição do animal não foi planejada”, diz Ana Cláudia.
Cão não entra em férias
Muitos se esquecem que pelo menos uma vez por ano, em época de férias, quem não pode levar o cachorro vai precisar se preocupar com um lugar para deixá-lo. Essa tarefa envolve tanto recurso financeiro – se optar por um hotel para pets – quanto trabalho braçal, se precisar buscar um amigo ou parente que se comprometa a cuidar no tempo em que a família estiver fora. Se o dono mora sozinho e viaja muito, é preciso pensar mais antes de decidir, pois terá de se preocupar várias vezes com o lugar onde deixá-lo.
Para os grandes, muito espaço
Depois de decidir ter um chacorrinho é hora de pensar qual raça que se adequa ao espaço disponível. A escolha é bastante diferente para quem mora em apartamento em relação a quem tem casa. A regra geral é que animal grande precisa de mais espaço. No primeiro caso, o ideal é escolher raças que conseguem se adequar a lugares pequenos. O criador e presidente do Clube para Animais Salatino, em São Paulo, Rochester Salatino, explica que o grupo dos cães de companhia – como por exemplo bichon frisé, chihuahua, poodle, cristado chinês e maltês – convivem bem dentro de apartamentos, ou em outros locais com espaço pequeno. Latem pouco, não crescem muito e são higiênicos porque tendem a não fazer muita sujeira no ambiente e, se educados, fazem suas necessidades fora de casa.
Já o grupo dos cães pastores, boiadeiros e guardiões – como pastor belga, collie barbudo, border collie, pastor alemão e komondor – precisam de muito espaço e de atividade o tempo todo. “Eles têm muita energia. Podem até ficar sozinhos, mas o dono deve deixar brinquedos, ou esconder a comida para que ele procure. Assim se exercita e fica calmo” diz Salatino.
Existem, porém, os cães que ficam bem em espaços pequenos, mas que latem muito, como os do grupo terriers – bull terrier, yorkshire terrier, fox terrier, jack russel e terrier escocês. Nestes casos é preciso levar em conta também a vizinhança ou as regras do condomínio.
Quanto tempo você tem?
A maioria dos cães não gosta de ficar sozinha, mas algumas raças sentem menos que outras. Quem passa muitas horas fora deve optar por grupos como os de companhia, que vivem bem tanto perto quanto longe do dono e são mais tranquilos. Estes são os ideais para pessoas solteiras que moram sozinhas.
Segundo Ana Cláudia, mesmo que a raça não exija que o dono passe tanto tempo junto, todos precisam de atenção e de pelo menos um passeio diário. Quem não tem o mínimo de tempo para isso, o ideal é não ter cachorro e pensar em outro animal.
Calculando gastos
Despesas com vacinas uma vez ao ano, ração todos os dias, vermífugo e antipulgas são necessários para todos os tipos de cachorros. Mas algumas raças requerem ao longo do tempo gastos com remédios e tratamentos – porque são mais suscetíveis a algumas doenças – ou precisam tosar sempre por terem pelos longos. Os dois casos exigem que o dono tenha mais recurso financeiro e esteja disposto a investir no bem-estar do animal.
O médico veterinário e gerente da Unidade de Negócios de Animais de Companhia da Pfizer, Oclydes Barbarini Júnior, diz que o ideal é que o dono leve seu cão ao veterinário pelo menos uma vez ao mês para fazer um acompanhamento e evitar que mais para frente desenvolva doenças. “Não levamos só para tratar, mas para prevenir. Infelizmente o Brasil é um dos países que menos faz isso”.
Quanto à tosa, Salatino explica que cães com pelo longo precisam tosar mensalmente, o que gasta mais do que os que não precisam, mas que em compensação derrubam menos pelos. “Nesse caso é preciso fazer um balanço do que pesa mais para o proprietário, gastar ou ter que limpar mais vezes a casa”.
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