Mascote Fit

Animal

Felinos ameaçados

Flávia Alves
02/09/2007 01:52
O médico veterinário Adolfo Yoshiaki Sasaki, da clínica VetSan, afirma que um dos maiores receios é em relação ao próprio nome da doença. “Ao ouvirem falar sobre a Aids Felina muitos se assustam, ficam com medo de que ela possa ser transmitida a humanos ou outros animais. No entanto, esta é uma doença espécie-específica, ou seja, só afeta felinos, sejam eles domésticos ou selvagens”. Ele explica que a moléstia é causada por um vírus que compromete o sistema imunológico do animal, anulando suas defesas e deixando-o propenso a outras doenças. “Ela é transmitida pela saliva, principalmente pelas mordidas e arranhões de um gato em outro. Apesar de não ser transmissível pelo sêmen, os animais podem se contaminar durante o ato sexual por causa do contato”, conta o veterinário.
De acordo com Sasaki, a enfermidade tem três fases: a inicial, a latente e a crônica. Após a contaminação, o gato pode ou não apresentar sintomas leves, como apatia, anorexia e febre, em períodos de tempo que variam para cada animal. Na segunda fase, o bicho pode ficar anos sem apresentar qualquer sintoma, o que faz com que os donos só percebam que algo está errado quando a doença entra na fase crônica. Neste período, o animal fica suscetível a doenças diversas, perde peso e pode morrer em decorrência de qualquer mal que, para gatos sadios, não seria grande problema.
Apesar de não haver vacina contra o Vírus da Imunodeficiência Felina (FIV) e nem cura para a doença, a detecção precoce pode aumentar o tempo de vida do bichano e evitar que ele infecte outros gatos. “Infelizmente, os donos ainda não fazem os testes quando há suspeita, pois acham que é caro. Pensam também que, pelo fato de não haver cura, saber que o gato é portador não fará nenhuma diferença. Mas se o dono e o veterinário souberem, fica mais fácil monitorar sua saúde e agir rápido, o que pode salvar sua vida”, conta a veterinária Tatiana Takeko dos Santos, da clínica Cantinho do Gato. Ela ressalta que os mais vulneráveis são os gatos de rua ou os de casa que têm fácil acesso às ruas – principalmente os mais agressivos e “encrenqueiros”– , mas os que ficam restritos ao ambiente doméstico também podem adquirir a doença se houver o contato com um animal infectado. Os machos costumam ser os mais atingidos, já que brigam mais entre si. Tatiana afirma ainda que a doença pode ser confundida com outra de sintomas semelhantes, a leucemia felina (Felv), o que reforça a importância do diagnóstico preciso.