Segundo informações do site Pesquisa FAPESP, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) divulgaram uma carta na qual pedem que a empresa aérea de logística Latam-Cargo reconsidere a decisão de parar de transportar animais utilizados em pesquisas.
No documento, a bioquímica Helena Nader e o físico Luiz Davidovich, que presidem a SBPC e a ABC, respectivamente, reafirmam que “o uso de animais de experimentação é de vital importância nas pesquisas das áreas biológicas e da saúde”. A carta ainda lembra que, sem a experimentação animal, não seria possível levar adiante as pesquisas em andamento com os vírus da chikungunya, zika e dengue, por exemplo.
Entenda o caso
Em nota divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo no dia 23 de junho, a Latam (originada pela fusão entre a brasileira TAM e a chilena LAN) comunicou que a medida busca reforçar o compromisso da empresa “com o meio ambiente e as espécies que fazem parte dele”.
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Futuro
Uma reunião entre dirigentes da Latam e representantes da comunidade de pesquisadores está prevista para os próximos dias, com data ainda a ser definida. “A empresa nos procurou e se mostrou solícita a nos ouvir. Querem entender qual impacto essa medida pode ter na pesquisa brasileira e quais as regras para a experimentação animal no Brasil”, diz Helena. Segundo ela, caso a Latam mantenha sua decisão, a SBPC recorrerá à Secretaria de Aviação Civil do governo federal. De acordo com ela, a Latam é a única empresa que realiza o transporte de animais de pesquisa para todos os estados do país.
Efeito cascata
A decisão da Latam segue uma tendência observada em outros países, nos quais companhias aéreas cederam a pressões de entidades de defesa dos animais e deixaram de transportar macacos e camundongos que abastecem laboratórios dos Estados Unidos e da Europa. Grandes empresas como a Lufthansa, a British Airways e a Virgin Atlantic há tempos se recusam
a transportar animais que serão utilizados em experimentos científicos. “A resolução da Latam pode desencadear um efeito cascata, influenciando outras empresas. Se isso ocorrer, será um grande prejuízo para a pesquisa brasileira”, diz José Mauro Granjeiro, coordenador do Conselho Nacional de Controle da Experimentação Animal (Concea) entre 2014 e 2015.
Hoje diretor de Metrologia Aplicada às Ciências da Vida do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), Granjeiro explica que a experimentação animal segue códigos de conduta ética rigorosos e, além disso, há um esforço de pesquisa, no país, para substituir o uso de animais em testes, como simulações em computador, que começa a dar resultados. “No entanto, são técnicas que ainda estão sendo testadas. A pesquisa científica ainda depende, e muito, da experimentação animal”, afirma Granjeiro.
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