Bortolo Valle, professor de Ética do mestrado em Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), tem uma explicação para o avanço da crueldade não apenas contra bichos, mas contra todos os seres. “A cultura acabou virando uma antítese da natureza. O ser humano acredita que ela deve nos servir, não que seja parceira de caminhada”, afirma o professor, que acredita que seguimos para o esgotamento devido à ambição. “A relação entre o homem e o mundo foi cindida pela busca do lucro. Por isso o homem embruteceu.”
Soraya Simon, vice-presidente da Sociedade Protetora dos Animais de Curitiba (SPAC), diz que a questão dos maus-tratos só piora porque as políticas públicas são incipientes. Segundo ela, o abandono ainda é o crueldade mais comum. Estima-se que haja 160 mil animais nas ruas de Curitiba, boa parte deles abandonada, “entre SRD (sem raça definida) e cães de raça”, diz Soraya.
Por outro lado, iniciativas como a de Iraciel Ribeiro, que mora na Vila das Torres, bairro de Curitiba, amenizam esse problema e mostram que a “estima” pode ser exercitada pela adoção. “Gosto muito da Corina, ela é bem ativa e protege minha casa”, diz ele, que não abre mão da sua cachorrinha adotada no Canil Municipal.
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