O cãozinho corre para lá e para cá dentro de casa, não para quieto. De repente, um estrondo daqueles e um gemido de dor. Brincando, ele se chocou contra o fogão e a chaleira de água fervendo virou todinha em cima dele. O estrago é imediato: uma terrível queimadura atinge uma grande extensão do frágil corpinho, provocando um sofrimento imenso.
As boas novas da Medicina Veterinária – apresentadas na 8ª Pet South América (feira internacional de produtos e serviços para a linha pet e veterinária), realizada em julho, em São Paulo – para tratar casos de queimaduras de primeiro a quarto grau (quando ossos e músculos são afetados) é a comprovação, por meio de pesquisas realizadas nos Estados Unidos, de que nos casos mais leves (cerca de 90%) o mel e o açúcar são substâncias curantes, ou seja, têm ingredientes que aceleram a cicatrização.
As pesquisas apontam que esses produtos podem ser usados em sua forma natural, mas só devem ser aplicados com indicação médica.
Nos demais 10%, que representam as situações de maior gravidade, os pacientes passam a ser submetidos a tratamentos de ponta que utilizam câmaras hiperbáricas. O animal respira oxigênio puro (100%) dentro de uma câmara pressurizada, o que proporciona uma recuperação mais acelerada dos tecidos danificados e reduz o perigo de infecção. Cada sessão tem duração de duas horas e a quantidade varia de acordo com a extensão e a profundidade da lesão.
São quatro as principais causas de queimaduras em pets: térmicas (fogo e líquidos quentes), elétricas (cabos, fios e plugues de tomada), químicas (produtos corrosivos, como ácidos e álcalis) e radiação (exposição solar e à neve em excesso e raios nucleares).
“Os veterinários sabem muito pouco sobre como lidar com casos como estes porque sua incidência é muito menor em relação às patologias que normalmente atingem os animais de estimação”, diz o veterinário americano Luís H. Tello, diretor da Sociedade Latino-Americana de Urgências e Cuidados Intensivos Veterinários. O médico esteve em São Paulo, na semana passada, no 34º Congresso Mundial WSAVA (Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais), que foi realizado simultaneamente a Pet South.
Estes tratamentos de ponta para pets com queimaduras deve chegar em breve ao Brasil, que tem uma população de 32 milhões de cães e 16 milhões de gatos, os mais vulneráveis a este perigo.
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