Mascote Fit

Animal

Na boca do Povo!

Adriano Justino
08/04/2007 01:19
É pra lá de comum usar nomes de animais para depreciar seres humanos. Ser chamado de burro, toupeira, cobra, baleia, abutre e mutuca não é legal para ninguém. Os brasileiros usam cerca de 55 nomes para elaborar 194 tipos diferentes de comparações de caráter zoomórfico, pelo levantamento feito por Rogério Guerra e Newton Bernardi, professores-titulares de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Mas atribuir características animais ao comportamento humano é muito questionável quando se conhece esses bichos de perto. De acordo com Guerra, doutor em Psicologia Experimental pela Universidade de São Paulo (USP), que trabalha com psicologia comparativa estudando o comportamento de macacos, insetos e roedores, tal atitude tem fundo bíblico. “O homem sempre se viu como uma criatura separada da Natureza. No livro do Gênese é dito que ele foi criado em primeiro lugar e depois vieram os animais, com o mero objetivo de serem usufrutos do primeiro”, cita ele. Confira alguns casos:
Elefante
Espécie de animal que serve para qualificar positivamente a boa capacidade de memória das pessoas. Costuma também ser utilizado para depreciar os glutões, o que é um verdadeiro erro. Dizer que se “come como um elefante” em realidade significa comer pouco, se for considerada a proporção relativa ao seu tamanho. Pelo contrário, é duvidoso dizer que uma pessoa come pouco “como um passarinho”, já que um beija-flor ingere até quatro vezes seu peso corporal num dia.
Avestruz
Quando uma pessoa evita encarar as coisas de frente ou se faz de cega para determinadas situações, costuma-se usar a figura da avestruz, que “esconderia” sua cabeça num buraco em momentos cruciais. O certo é que essa ave de corpo pesado e longo pescoço apenas encosta a cabeça no solo com o objetivo de enxergar muito além dos olhos. Ela busca sentir a mínima trepidação da terra, tentando prever a chegada de possíveis predadores, num gesto repleto de astúcia e inteligência.
Burro
O mais discriminado dos animais, sempre é citado quando se busca depreciar uma pessoa incutindo-lhe a pecha de estúpido. É o maior exemplo de injustiça já cometido aos animais se levado em conta os grandes serviços prestado por ele ao país. Essa má fama vem justamente por ser um animal serviçal, explorado por milhares de anos no transporte pesado de cargas e pessoas. A docilidade, uma qualidade da espécie, descambou para uma visão no mínimo equivocada deste animal.
Gambá
Sinônimo para gente que excede um pouco na bebida, o animal parece cambalear apenas por ter um caminhar um pouco trôpego. O mito suplantou tanto a realidade que alguns afirmam que o gambá tem verdadeiro apreço pela cachaça, algo sem pé nem cabeça. Outro que sofre pelo andar é o caranguejo, usado para qualificar aquele que não consegue progredir na vida. Na verdade, o animal tem uma marcha perpendicular que apenas dá a impressão que se está andando para trás.
Cavalo
Muitos se referem a pessoas de atitudes grosseiras utilizando o “santo nome” dessa espécie. Inteligente e elegantíssimo, o cavalo é um animal no mínimo fantástico, de cérebro volumoso e grande capacidade de aprender, tendo proporcionado grandes conquistas aos homens. Quem utiliza desse expediente para xingar são pessoas que nunca viram nem tocaram esse animal. Mais um exemplo de julgamento sem ter havido experiência, explorado pela linguagem dos homens.