Mascote Fit

Animal

Não se esqueça de mim

Marina Fabri
04/12/2010 02:01
Para dar um jeito na tristeza da pitbull solitária Maggie, a dona Michele resolveu adotar mais um cão. Homer, um dogo argentino, chegou há um ano e, imediatamente, se deu bem com Maggie. ?Os dois andam juntos o tempo todo. Tinha comprado uma casinha para cada, mas os dois ficavam sempre na mesma ? tive que comprar uma terceira casinha, desta vez grande o bastante para comportar os dois?, conta ela.
A decisão veio depois de ver que Maggie não comia nem brincava enquanto estava sozinha e começou até a se acostumar com a rotina de trabalho dos donos. ?Ela sabia quando iríamos sair, entrava na casinha e não me dava mais bola?, diz Michele. Para o veterinário Leonardo Nápoli, a decisão foi acertada ? encontrar um companheiro para o animal que fica sozinho pode ser uma boa solução, contanto que os dois se deem bem.
Foi justamente tentando evitar deixar os bichos sozinhos que a publicitária Natalia Moritz, de 25 anos, adotou logo de uma vez dois gatos, a siamesa Zum e o sem raça definida (SRD) Tarcísio. Como ela e o marido, o assistente comercial Paulo Henrique Karpstein, de 32 anos, sabiam que os felinos têm temperamento mais tranquilo e independente, optaram por eles. ?Os dois foram abandonados em uma clínica juntos e se davam bem, então unimos o útil ao agradável. Adotamos os dois porque eles já se conheciam e fariam companhia um ao outro enquanto nós trabalhamos?, conta. Mesmo assim, Zum e Tarcísio sempre têm brinquedos disponíveis. ?Quando chegamos em casa, os brinquedos estão sempre espalhados pelo apartamento, acho que eles se divertem?, diz Natalia.
Outra dupla felina, formada pelas mestiças de siamês, Valla e Cassie, se diverte com a ?academia? montada pelo dono, o tradutor Álvaro Antunes, de 44 anos, no apartamento onde moram. Apesar de ter um horário de trabalho flexível, Antunes conta que eventualmente as duas ficam sozinhas no apartamento. ?Queria gatos ativos e que interagissem, então tentamos formar nelas esse espírito brincalhão desde pequenas. Para que as gatas não ficassem entediadas, montamos labirintos com caixas de papelão e até lençóis com brinquedos, como bolinhas, escondidos?, diz. A confirmação do sucesso: Antunes diz que, de vez em quando, ouve as duas brincando nos labirintos mesmo durante a noite, quando ele está em casa.
Brinquedos e distrações
Se você não der alguma coisa para seu cão ou gato fazer durante o dia, ele mesmo pode encontrar algo ? e entre as possibilidades estão roer objetos pessoais ou destruir o forro do sofá, por exemplo. É o que diz Alexandra Horowitz, pesquisadora e professora de psicologia da Universidade de Columbia, em Nova York, doutora em ciência cognitiva pela University of California e autora do livro A Cabeça do Cachorro (Editora Record, R$ 40 em média). ?Você pode deixar brinquedos ou coisas para roer ? ossinhos, por exemplo ? para distrair o animal durante o dia. Outra dica boa é desafiá-lo a alguma coisa, como colocar um biscoitinho dentro de um pote para que ele tente pegar?, diz. Alexandra é dona de Finnegan, um SRD, e diz que costuma esconder petiscos caninos pela casa, para que ele se distraia procurando a recompensa.
O ?desafio? de conseguir pegar um biscoito dentro de uma garrafa é um dos passatempos preferidos da vira-lata Momô. Os donos, o assessor Vitor Luiz da Costa, de 24 anos e a professora Carolina de Bertoli Macagnan, de 24, bolaram o método para não deixá-la entediada durante o dia. ?Antes era comum chegarmos em casa e vermos as pernas das cadeiras roídas. Então percebemos que teríamos que fazer algo para que ela desviasse a atenção das nossas coisas e móveis, daí surgiu a idéia da garrafa?, conta Vitor. Segundo ele, quando o casal chega do trabalho, encontra a garrafa detonada por Momô ? e os móveis intactos. Outra coisa que ajudou foi a criação de uma rotina. Os donos costumam sair sempre três vezes por dia para passear com ela.
Rotina
Para o médico veterinário e presidente da Comissão de Zoonoses e Bem-Estar Animal do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Paraná, Leonardo Nápoli, a rotina na vida de um animal é benéfica com uma condição: que o hábito criado seja sempre respeitado. ?Se você resolve voltar para casa no horário do almoço para brincar um pouco com o animal é bom ter condições de cumprir sempre esse compromisso. Caso contrário ele pode se frustrar?, diz.
O mesmo vale para os passeios. Se o dono não puder levá-lo para dar uma volta sempre no mesmo horário, o bom é não criar rotina ? sair um dia de manhã, outro à tarde, por exemplo. Dessa forma, ele vai gostar da surpresa e o dono evita a ansiedade do animal. ?A rotina não é absolutamente necessária, mas faz com que as coisas sejam mais previsíveis para o cão. Se ele aprende que seu dono sempre chega um pouco antes do anoitecer, vai ficar ansioso por esse momento?, diz a pesquisadora Alexandra Horowitz.
Bicho vê tevê?
Observe o comportamento deles
Essas histórias são mais comuns do que as pessoas imaginam, como assinala Leonardo Nápoli, médico veterinário e presidente da Comissão de Zoonoses e Bem-Estar Animal do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Paraná. Para evitar problemas, o ideal é pesquisar bem antes de adquirir um bichinho de estimação.
Para os de raça, o importante é pesquisar o temperamento do bicho que pretende comprar e, no caso de cães sem raça definida, que o interessado observe o comportamento. ?Não decida no primeiro contato. O melhor a fazer é pedir para vê-lo novamente na casa onde ele estiver, solto. Assim será mais fácil verificar se o animal é mais ativo ou tranquilo?, afirma ele.
Se o dono fica fora de casa durante a maior parte do dia, o melhor é evitar raças que demandam interação constante, brincadeiras e espaço para correr, no caso de apartamentos pequenos. ?Um cão que não consegue se adaptar acaba entrando nos números de potenciais abandonos?, diz Nápoli. O médico veterinário explica ainda que, dependendo do caso, a solidão pode resultar em ansiedade, agressividade, comportamento destrutivo e automutilação. Isso pode se refletir fisicamente ? a imunidade do animal pode baixar e ocorrer de surgirem patologias físicas.
Veja o que a cachorrinha Wendy (box) faz quando seus donos não estão em casa: