Mascote Fit

Animal

Super-heróis do dia a dia

Carlos Coelho
05/12/2009 02:11
A resposta é: uma segunda identidade. Isso mesmo. Como super-heróis de histórias em quadrinhos, todos eles se dividem entre um dia a dia “normal” e a vida de protetores voluntários de animais (não vinculados a ONGs). Dedicam-se a retirar cães abandonados das ruas e a oferecer abrigo temporário. Se gostar dos animais é o sentimento comum, amá-los incondicionalmente é o que os define e os motiva a superar os altos gastos, tempo de dedicação e trabalho árduo, muitas vezes necessário.
“Percebi esse trabalho como um sentido para a vida. Não me imagino deixar de fazê-lo”, conta Luiz Augusto Torres, que há quatro anos recolheu a primeira cachorrinha das ruas. “Ela tinha sido atropelada e abandonada. Paguei o tratamento veterinário e hoje a tenho comigo. Foi um presente”, diz o orgulhoso dono de Shalla. De lá para cá não parou mais.
Hoje, o professor retira cães das ruas para castrá-los e tentar achar um novo lar. “Aqui onde moro há muitos animais abandonados. A castração é fundamental para que eles não proliferem. E, como conheço muita gente, sempre tento achar uma lar de adoção para os que foram largados.” E ele não consegue contar o número de animais que ajudou até agora. “Foram muitos. Parei de contar depois dos 50”, diz.
A história do professor é semelhante a de Ana Zelinda, que guarda a recordação viva de sua primeira boa ação com os pets. “Foi em março de 2007. Encontrei uma cachorrinha poodle abandonada. Decidi ficar com ela. Estamos juntas até hoje”, conta feliz a história de Delora, uma de suas companheirinhas. E a novela se repetiu duas vezes: com Gohan e Amarela, que completam o time da casa.
Mas os três cães não foram os únicos. Linha-dura em seu trabalho como delegada, Ana se mostra um grande coração no campo emocional. Sempre recolhe animais abandonados, paga o tratamento veterinário e hospedagem em hotéis e abrigos especializados até que encontrem novo lar. “Estabeleço um limite de quatro cães por vez, para conseguir ajudá-los sem estourar meu orçamento”. Só de hospedagem ela gasta R$ 10 por dia por cão.
Custo alto
Nem mesmo os gastos para a manutenção dos animais em hotéis especializados e em cuidados de saúde foram barreira para Joice Chelesky . Para arcar com as despesas, pegou dois empréstimos financeiros. Mas nem ouse perguntar se ela se arrepende. “É muito compensador ver um animal feliz. Vale todo o trabalho e dinheiro investido”, diz ela, que adotou sete cães abandonados.
Joice recolhe os cães em pior estado de saúde e lhes fornece abrigo pago e tratamento médico. E mais do que isso, tenta achar um lar definitivo. “Tenho muitos amigos por uma rede de e-mails. Quando recolho um bichinho, vejo com eles a possibilidade de alguém adotá-lo. De vez em quando, essa é uma ferramenta também para arrecadar ajuda financeira”, diz. Hoje, a protetora voluntária está cuidando de 28 cães, com um desembolso que, por vezes, ultrapassa R$ 2 mil mensais.