Ele explica que a doença ocorre em três fases: aguda, subclínica e crônica. A fase aguda tem início de uma a três semanas após a infecção e dura de 14 a 28 dias. Nesse período, o cão pode apresentar febre, perda de apetite e peso, dificuldade respiratória e pequenas manchas vermelhas pelo corpo. Na subclínica, que pode durar até cinco anos, os sintomas desaparecem. Já a fase crônica é marcada por febre, palidez das mucosas (gengivais, penianas, vaginais ou da parte interna da pálpebra), dificuldade respiratória, dor abdominal, inchaço nas articulações, hematomas e depressão. Também pode haver diarreia com sangramento e hemorragia no nariz e na retina.
A médica veterinária Sílvia Terabe, da Clínica Derosso, diz que na fase crônica o cão pode apresentar ainda disfunção da medula óssea, responsável pela produção dos componentes do sangue. Ela explica que o diagnóstico exato da doença é dado por exames laboratoriais. O tratamento é feito com antibióticos e normalmente requer a internação imediata. Em casos mais graves, o cão também precisa passar por transfusões de sangue.
A única forma de evitar a erliquiose é controlar a presença de carrapatos no animal. “Normalmente os produtos antipulgas também previnem contra carrapatos”, afirma a médica veterinária Michele Lopes Izar, da Clínica Nossos Bichos.
Tratamento
A educadora Carolina Bozza Bueno, 32 anos, descobriu em maio do ano passado que Pituca (sem raça definida), 8 anos, estava com erliquiose. “Ela começou a vomitar e evacuar sangue. Às vezes, também travava as perninhas quando estava correndo. Foi feito um exame e constatou-se que o número de plaquetas estava baixo”, conta. A cachorrinha foi internada no mesmo dia e, segundo a veterinária Sílvia Terabe, que acompanhou o caso, precisou passar por uma transfusão de sangue. “Levamos a Pituca em uma sexta-feira e só a pegamos na outra terça”, conta Caroline.
Quase um ano depois, a cachorra ainda toma antibióticos e faz exames de sangue regularmente. Segundo Carolina, o último deles foi em novembro e apontou anemia. “Ela estava com mil plaquetas por milímetro cúbico de sangue, quando o normal é de 200 mil para cima. Por isso, existe a possibilidade de que ela apresente de novo um quadro agudo”, afirma a veterinária.
Homem X carrapato
A doença raramente aparece em gatos e nos seres humanos. Neste caso ocorre pela picada do carrapato infectado. Segundo o Instituto Brasileiro de Diagnósticos e Especialidades Veterinárias (Provet), a contaminação do homem é feita por outro agente etiológico, ou seja, por outra espécie de Ehrlichia.
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