A pedagoga Daniele Saheb, mestre e doutoranda em Educação e professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), lembra que as crianças não podem perder os momentos de interação social por causa dos jogos. “Eles privam da necessidade de convivência e são repetitivos, previsíveis. O cérebro precisa de desafios, de sair da rotina.”
Mas nem tudo é negativo e monótono no mundo dos games. “Há jogos ótimos para desenvolver o raciocínio lógico, habilidades cognitivas, de memória e percepção visual. Cabe aos pais escolher os jogos”, diz Daniele. Fernanda complementa: “Esta é a nova linguagem desta geração, eles precisam conviver desde cedo com esta lógica talvez diferente da dos pais. Aí também temos um ponto importante: a troca entre as gerações, os filhos ensinando os pais suas brincadeiras e os pais ensinando velhas brincadeiras para os filhos”.
Ou seja: o videogame não é exatamente um mocinho, mas não chega a ser o pior dos vilões. Desde que seja com tempo restrito e sob a supervisão dos adultos.
A inclusão ou não de um tipo ou outro de brinquedo na rotina da criança é uma decisão que cabe aos pais. E a educadora brinquedista Ingrid Cadore dá uma daquelas dicas que devem ser anotadas na agenda, na porta da geladeira, merecem fitinhas em todos os dedos: diversidade. “Quanto mais diversificado o universo de uma criança, mais capacidade ela desenvolverá para encontrar soluções aos problemas da vida”.
Brincadeira em família
Na casa do engenheiro civil César Menezes, 49 anos, e da arquiteta Luciana, 43, brincadeira é coisa de família. Os filhos Breno, 20, e Laura, 8, contam sempre com a companhia dos pais, seja na hora do videogame, dos jogos de tabuleiro ou de construir brinquedos. A cumplicidade e a riqueza de experiências são estimuladas pelo casal. “O Breno tinha carrinho de controle remoto, mas fez com o pai um carrinho de rolimã”, conta Luciana.
Com Laura, a mãe repete a receita: ensinou tricô e crochê à menina, que faz roupinhas para as bonecas. Brinquedos de sucata são outra “arte” que agrega a família. “Na brincadeira aproveitamos os conceitos de hierarquia, verdade/mentira, o português correto.”
Fortalecer vínculos é mais uma – talvez a mais importante – função das brincadeiras. “A criança nunca mais esquece o adulto que brincou com ela”, afirma a educadora brinquedista Ingrid Cadore. Segundo ela, quando os pais brincam com os filhos, a possibilidade de serem escutados em assuntos importantes cresce exponencialmente. E de serem as pessoas às quais o adolescente vai recorrer quando precisar.
Serviço:
Daniele Saheb (pedagoga): danielesaheb@pucpr.br
Ingrid Cadore (educadora brinquedista, coordenadora da brinquedoteca da Associação Serpiá): www.serpia.org.br e www.serpia.org.br.
Dia 15, a psicóloga Fernanda Gorosito, coordenadora do Espaço de Desenvolvimento Criança em Foco, ministra a palestra “Brincar de verdade! Como o brincar pode influenciar a formação de seu filho”. Informações e inscrições 3232-4837, 9973-0399 e www.criacaemfoco.com.br Interatividade
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