Turismo

O lado de lá das cataratas

Larissa Jedyn
08/02/2015 05:00
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Do circuito inferior é que se vê os impressionantes 80% das cachoeiras que ficaram do lado argentino. Foto: Divulgação

Os “hermanos” têm 80% das cataratas do Iguaçu. Iguazú, para eles. Nós temos a melhor vista. Mas antes de decretar o empate na disputa, fomos visitar os vizinhos e atestamos que o passeio pelas cachoeiras do lado de lá é mais radical, sim senhor. Ou seja, prepare-se para andar mais, suar mais, se molhar mais e, de quebra, dormir em um hotel que fica dentro da selva.
Faça o passeio completo, por terra, água e ar. E dá para dizer que essa maravilha da natureza é de tirar o fôlego. Comece por cima. Voe até elas. Se estiver hospedado em Puerto Iguazú, terá de vir ao lado brasileiro, de onde partem os helicópteros (você terá de passar pela fronteira e apresentar sua documentação. Se tiver um guia, o processo fica mais rápido).
O passeio custa R$ 300 e faz você praticamente mergulhar nas profundezas borbulhantes da Garganta do Diabo. É verdade, depois de sobrevoar placidamente a mata atlântica, e dar voltas e mais voltas sobre o buraco onde ficam as cachoeiras, os pilotos invariavelmente despencam sobre as quedas para testar os nervos dos turistas. São só 10 minutos. Mas valem a pena e dão vontade de mais.
Depois, corra ao parque, lá do lado argentino (fronteira de novo!). A diferença para Foz do Iguaçu, é que em Puerto Iguazú, caminha-se. E muito. Do ponto de partida vá andando ou pegue um trenzinho até a estação intermediária (Cataratas) e escolha entre as duas opções de circuitos (o melhor é fazer as duas).
O superior, mais curto, tem trilha de aproximadamente 700 metros construída à beira do precipício, em que você conhece as corredeiras bem de perto e, praticamente, molha o pé na água. A sensação é a de estar em um filme de aventura, e o instinto manda procurar um galho por perto para se salvar. Afinal, por baixo, mais água e a poucos metros está uma queda d’água enorme.
Ainda bem que estamos bem seguros numa das passarelas largas, bem protegidas, com mão para quem vai e para quem volta. Sim, você vai repetir os trechos de caminhada, mas isso vale para não perder nenhum cantinho daquela aguaceira toda.
Em seguida você segue até a mesma estação e faz o Circuito Inferior do parque, o que leva à Garganta do Diabo. São mais 2,5 km de caminhada pelo meio da mata, onde se vêem quatis e, com alguma sorte, tucanos, entre outros pássaros. No caminho se vê todo o paredão de água à sua frente ou acima, e uma passarela que leva até a água.
Passeio aéreo sobrevoa as cataratas e prevê um ou dois "mergulhos" cheios de emoção. Foto: Divulgação
Passeio aéreo sobrevoa as cataratas e prevê um ou dois "mergulhos" cheios de emoção. Foto: Divulgação
Neste pedaço a trilha é circular e não se repete nenhuma parte do passeio. Antes de decidir se começa por cima ou por baixo, dá para perguntar para os guias ou dar uma boa olhada pra saber onde está mais cheio – e optar pela trilha mais vazia.
Não é imprescindível que se vá acompanhado de guia no parque, pois o caminho é claro, bem sinalizado e seguro, mas não deixa de ser uma boa forma de conhecer mais sobre a fauna, a flora e a história da região da tríplice fronteira, além de facilitar seus transfers em geral.
Depois da andança, uma pausa para o descanso. Há restaurantes e lanchonetes no parque, mas nada impede que você leve também sua comida. Só cuide com os quatis, que escalam os visitantes, rasgam sacolas e machucam com suas garras atrás de alimentos. Os guias não recomendam alimentar os animais selvagens, que estão ficando doentes e obesos com comida de gente.
De onde ficam os restaurantes e lojas partem também os jipes que levam os visitantes ao local de embarque para o passeio do “Macuco” deles. O Aventura Náutica custa em média R$ 60 (podendo variar conforme o câmbio e a opção de passeio) e dá para dizer que é bem mais “roots” do que o do lado de cá. Mas nem pense em fugir dessa aventura.
Na verdade não dá tempo. Você percorre um trecho da floresta subtropical e, quando vê, já está de sacola impermeável nas mãos, para guardar os pertences, e o salva-vidas devidamente afivelado. Se jogue!
A lancha tem espaço para cerca de 20 pessoas, todas sentadas e seguras. São feitas paradas técnicas para fotografias e para guardar o material, pois, dali para frente, o papo é radical de verdade. Você não imagina o quão perto vai chegar das cataratas.
As manobras espirram água para todos os lados e o barco chega por duas vezes (do lado brazuca é só uma) quase embaixo das quedas. Não é preciso dizer que você sai com a alma, o corpo e a roupa devidamente lavados. Se a tripulação sugerir mais uma voltinha, implore por ela. Grite, fotografe se tiver câmera aquática e curta muito.
Dali para o fim do parque é papo rápido. Uma caminhada curta, só que você estará encharcado. Então, se na sua mochila houver um chinelo, ponto para você. Uma muda de roupa seca é outra dica preciosa. No mais, muito protetor solar e repelente – pois, se você sair do parque ao fim da tarde, prepare-se porque a mosquitarada não poupa ninguém.
das cachoeiras que saem de  corpo e alma lavados. Foto: Divulgação
das cachoeiras que saem de corpo e alma lavados. Foto: Divulgação
Nessa hora vale aquela última olhada para as cataratas e, se der sorte, um belo arco-íris vai proporcionar sete tons a mais na sua foto de despedida.
Confira algumas dicas para garantir um bom passeio por Puerto Iguazú:
Carregue sempre seu passaporte ou carteira de identidade válida (com no máximo 10 anos). Muitos passeios farão você atravessar a fronteira e você vai precisar deles.
A cidade é limitada pelo Rio Iguaçu, pela reserva natural dos Parques Nacionais e pela estrada nacional, próxima à Ponte Tancredo Neves, a 20 minutos das Cataratas e cerca de 40 minutos do Aeroporto de Foz do Iguaçu, no Brasil.
Puerto Iguazú tem o clima igual ao de Foz, ou seja, é muito úmido e quente. Portanto, use roupas leves. No passeio ao Parque das Cataratas, prefira calçados de caminhada, roupas que sequem rápido e roupa de banho por baixo. Na mochila carregue ainda repelente, filtro solar, água e lanches rápidos, como frutas e barras de cereal.
A cidade conta com bons restaurantes, como o El Quincho del Tío Querido (Bompland, 110, fone +54(3757)420151), Aqva (Avenida Córdoba esquina com Carlos Thays) e o La Rueda (Avenida Córdoba, 28). Quem gostar, pode ir aos cassinos à noite ou conhecer o bar feito de gelo, o Icebar Iguazú.
Para quem quer fazer compras, há o Duty Free Shop Puerto Iguazú, que funciona como zona franca.
Serviço: