Com a volta do combustível, turismo começa a reagir em Curitiba
Carolina Werneck
31/05/2018 12:44
No Botânico, movimento voltou a crescer com a chegada do feriado. Foto: Carolina Werneck/Gazeta do Povo
Com o arrefecimento dos bloqueios nas estradas de todo o país, o combustível voltou a chegar às bombas dos postos e aos aeroportos, o que encorajou parte dos viajantes a seguir seus planos originais de turismo. Quando chegou ao trabalho nesta manhã de feriado, a estagiária do Centro de Informações Turísticas do Jardim Botânico, Leidiane Francisco ficou surpresa. “Eu achei que não haveria nenhum movimento hoje. Nos últimos dias estava muito parado mesmo. Mas tinha vários ônibus, vans e tudo mais.”
Walter de Souza, encarregado de metalúrgica do Rio de Janeiro, foi um dos turistas que resolveram manter a viagem comprada mesmo com medo de ter problemas. Nesta quinta ele passeava com a mãe, Maria da Conceição, pelo Jardim Botânico. Um programa que eles planejavam há três meses. “Eu achei que meu voo seria cancelado por falta de combustível. Também achei que a Linha Turismo poderia não funcionar ou ter poucos ônibus. Fui monitorando, mas desistir era uma possibilidade, sim.”
Walter e a mãe, Maria da Conceição, esperam a Linha Turismo no Jardim Botânico. Foto: Carolina Werneck/Viver Bem
A vontade de conhecer Curitiba, no entanto, foi maior. “Eu tinha vindo uma vez, mas de passagem, vi pouca coisa. Queria muito voltar para ver mais lugares e, até agora, parece que está dando certo.”
Agências e hotéis
A cidade, porém, não ficou imune aos cancelamentos das reservas de hospedagem e pacotes de viagens. Enquanto orientava um grupo de turistas que havia acabado de chegar ao ponto de onde parte a Linha Turismo, na Praça Tiradentes, o agente de viagens Henrique Milet falou sobre as desistências dos turistas. “A gente teve entre 30 e 40% de reservas canceladas. E, mesmo quem manteve a reserva, ligou várias vezes para saber como estava a situação aqui na cidade. Tem muita gente de São Paulo que vem de carro e aí estava preocupada se conseguiria abastecer para voltar ou não. Teve até quem ligasse para saber se tem comida nos supermercados e restaurantes”, relata.
Os problemas para manter pacotes comprados não foram exclusividade da agência em que Henrique trabalha. A Agência Brasileira de Agências de Viagens (Abav) informou na última quarta-feira (30) que, de fato, muitos turistas decidiram remarcar ou cancelar seus pacotes de viagem. Situação parecida vivem os hotéis. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Paraná (ABIH-PR), em todo o Estado a taxa de cancelamentos chegou a quase 80% devido à paralisação.
Movimento fraco
Ezilandia e Jorge dizem que o Mercado das Flores não tem rosas desde o último sábado. Foto: Carolina Werneck/Gazeta do Povo
Apesar de, aos poucos, a situação voltar ao normal, muitos comerciantes estão sentindo os impactos e ainda não viram melhora nos negócios.
Desde 1984, Jorge Fernandes, 74 anos, mantém uma floricultura no Mercado das Flores, no centro de Curitiba, Em todos esses anos, ele diz que nunca viveu dias de tão pouco movimento – e flores tão escassas – como nesse período de paralisação dos caminhoneiros por todo o país.
Na manhã desta quinta-feira (31), ele conversava com uma vizinha de estande. “O reflexo da paralisação é este aqui. Nós dois parados, conversando. Esta é a primeira crise desse tamanho que eu vejo na minha vida. Teve crise do leite, teve crise do pão, mas eram crises de produtos, não no geral.”
Fora o movimento reduzido nas ruas do centro da cidade, a dificuldade de receber as mercadorias também atrapalha os negócios. Várias das banquinhas do local, normalmente repletas de vasos e arranjos, estão completamente vazias.”Nós não temos um botão de rosa desde sábado (26). O movimento caiu uns 85% por aqui”, avalia Ezilandia da Silva, que trabalha no local há três anos.
De acordo com entidades como a Associação Brasileira de Indústria de Hotéis, o prejuízo para o turismo para o feriado de Corpus Christi pode ultrapassar os R$ 60 milhões só em cidades como São Paulo, uma das mais buscadas para este feriado.