Comportamento

Ele correu mil quilômetros, e chegou inteiro. Veja a história do Tchê!

Amanda Milléo
14/03/2016 16:44
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(Foto: Arquivo pessoal)

Mais de mil quilômetros e 21 dias depois, o corredor e professor de educação física Fábio Moralles Alonso chegou  a cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, correndo. Tchê, como Fábio é mais conhecido, saiu de Curitiba no sábado, dia 20 de fevereiro, e correu em direção ao sul até a última sexta-feira (11), quando chegou na sua cidade natal, ao lado de familiares e amigos. Ele não sabe avaliar como foi a experiência, pois ainda está passando por ela, enquanto retorna de ônibus para o Paraná, mas sabe bem quais dias o marcaram mais. Confira a entrevista que o Viver Bem fez com o Tchê:
(Foto: Letícia Akemi/ Gazeta do Povo)
(Foto: Letícia Akemi/ Gazeta do Povo)
Depois de 21 dias, qual foi a principal lição dessa jornada?
Ainda estou no processo. Eu não posso dizer que os 21 dias acabaram e a experiência foi essa, porque a experiência ainda está acontecendo. A única coisa que posso dizer de mais pessoal é que consegui provar pra mim que quando eu determino um objetivo, eu tenho a capacidade de cumpri-lo. Eu vi que tenho a capacidade e a paciência, coisa que eu não tinha muito. Sou muito imediatista, mas aprendi que tenho a capacidade de superar essa falta de paciência, passar por cima dela e chegar no objetivo final. As dificuldades que eu passei foram absurdas e hoje eu vejo que poderia ter dito “não, chega”, mas como tinha algo muito maior no final, e que dependia de mim, a minha única opção era terminar.
No caminho, você conheceu muitas pessoas. Quais te marcaram mais?
De todos que me ajudaram, tiveram duas pessoas que eu não conhecia e que se doaram. Primeiro o Michel de Souza, perto de Balneário Camboriú, que viu a reportagem sobre a minha corrida e me achou na estrada, levou fruta e água gelada para mim. Dava para ver no olhar dele que ele estava me incentivando e estava encantado com a situação. E a segunda pessoa foi a Heloisa, que me ofereceu um prato de comida, quando eu já estava no Rio Grande do Sul. Primeiro eu tinha pedido um copo com água, ela me deu uma garrafa com água congelada, e quando eu estava indo embora, ela me ofereceu um prato de comida, que me salvou, porque não teria muita coisa por um bom tempo.
(Foto: Letícia Akemi / Gazeta do Povo)
(Foto: Letícia Akemi / Gazeta do Povo)
Qual foi o pior dia?
Os dois últimos dias foram os que me fizeram, realmente, duvidar se eu chegaria ou não. Eram os dias com os maiores quilômetros, um de 65km e o outro 78km, e do km 25 para o 35 do penúltimo dia, eu parei e pensei: ‘Eu tenho um dia de folga, que é o sábado, e pode ser que eu mude esse sábado de descanso para caminhar um pouco mais, porque eu não estou aguentando’. Mas, deu certo. Doía muito meu pé, só o pé, mas era insustentável. Chuva, frio, sem acostamento e ali eu comecei a tremer. O final mexe também com o psicológico. O corpo e a cabeça sabem que você está perto e relaxar, aí você começa a sentir todas as dores.
Está programando a próxima aventura?
Não, por enquanto não. Quero primeiro fazer com que o projeto KM Social atinja o objetivo dos R$ 55 mil em doações, e o tempo para doar ainda não acabou, temos até abril. Nesse período vamos fazer palestras, vamos achar outras formas. Depois, o projeto deve ser conhecido por outras pessoas, que se proponham a outros desafios e angariem fundos para projetos sociais. Pode ser para deficientes físicos, crianças carentes, mas não podemos parar.
A aventura pode se tornar um livro?
Eu me empolguei com a ideia, porque cada diário que eu escrevi, tem mil coisas a mais para contar, era só um resumo. Vou começar com as palestras e depois pensar em um livro, conto, não sei. É algo que eu vou pensar assim que voltar para Curitiba, porque agora estamos com o ônibus parado há uma hora na estrada. Nem o ônibus aguentou!! (risos).
Foto da chegada (Foto: arquivo pessoal)
Foto da chegada (Foto: arquivo pessoal)
Doação – A corrida do Tchê serviu para chamar a atenção ao projeto KM Social. O objetivo é arrecadar fundos ao atleta Eduardo França, que é o melhor paratleta paranaense em maratonas, e à Equipe Paranaense de Bocha Adaptada, modalidade praticada por atletas com paralisia cerebral. Para tanto, foi criado um perfil no site de crowdfunding Catarse, e a meta está estipulada em R$ 55 mil. Até o momento, o site recebeu R$ 13,5 mil em doações de 199 pessoas, e estará aberto até abril.